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Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, passa por situação de emergência

04 Abr 2012 - 18h26

Referência estadual no tratamento de crianças com até 14 anos em mais de 15 especialidades médicas de alta complexidade, o Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, precisa de ajuda.

Por falta de funcionários, uma ala recém inaugurada está fechada e as cirurgias eletivas - aquelas necessárias, mas não urgentes - na área de ortopedia estão comprometidas. Além disso, obras de reforma no centro cirúrgico, UTI e emergência devem fechar metade dos consultórios pelos próximos quatro meses.  


Os problemas enfrentados na área da saúde em Florianópolis serão discutidos nesta quarta-feira pelos integrantes do movimento Floripa Te Quero Bem. Cerca de 30 pessoas deverão levantar também quais os projetos que podem ser desenvolvidos para solucioná-los.

Exemplo

O hospital infantil é um exemplo. Ele ocupa uma área de 22 mil metros quadrados - equivalente a três campos de futebol - no bairro Agronômica, região central da Capital, e é o berço para tratamento simples ou complexo das crianças catarinenses.

É lá, que mesmo com plano de saúde, se dirigem os pais quando se deparam com uma situação de emergência como quedas, queimaduras e acidentes domésticos. Mesmo diante dos problemas com recursos humanos, o Joana de Gusmão atende em média sete casos de emergência por hora além de 170 consultas e 15 cirurgias por dia.

Ação civil investiga problemas

A falta de funcionários e de equipamentos vem sendo investigada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP/SC) desde 2008 quando uma ação civil foi ajuizada e tramita na Vara da Fazenda Pública da Capital.

Na última visita do promotor da infância e da Juventude Marcílio Novaes da Costa foram encontrados equipamentos quebrados e ultrapassados, cirurgias canceladas, irregularidades sanitárias e um grande déficit de funcionários em todas as unidades.

Hoje, há pelo menos dois inquéritos em andamento no Ministério Público envolvendo o hospital infantil. O promotor prefere não falar sobre eles enquanto tramitam. A Secretaria Estadual de Saúde não informou quanto dos 160 médicos e 640 funcionários do hospital estão efetivamente trabalhando, já que, destes há aqueles que estão em férias, afastados ou com entrada para aposentadoria.

Concurso público

No último domingo o governo estadual realizou concurso público para a saúde. De 300 vagas, apenas 36 serão direcionadas ao Joana de Gusmão. 

- Chamaremos tão logo o processo se encerre, no entanto, mais concursados poderão serem chamados dentro da validade do concurso - explica o superintende dos hospitais públicos do Estado, Walter Gomes.

A situação mais grave que demonstrou na prática a necessidade de contratação de médicos e enfermeiros ocorreu na semana passada, quando a Associação dos Voluntários do Hospital (Avos) inaugurou as novas instalações da unidade C com recursos próprios de R$ 750 mil e desde o primeiro dia ela segue desativada até que a secretaria providencie os funcionários para trabalhar no local.

Além da reforma foram adquiridos mobiliário e aparelhos de ar-condicionado. O número de leitos continua o mesmo, 20 para atendimento nas áreas de cardiologia, nutrologia, gastroenterologia e pacientes crônicos.

O superintendente dos hospitais públicos do Estado informou que não há prazo definido para a abertura. A campanha Floripa Te Quero Bem abraça ideias e esforços para transformar Florianópolis em um lugar ainda melhor para viver.

Demora no atendimento  

Apesar da falta de funcionários, quem é atendido no Hospital Infantil Joana de Gusmão reclama da demora, mas elogia a forma de atendimento dos médicos. Para quem vem de longe, a espera é longa.

A média é um mês para marcar uma consulta, até um ano para conseguir um exame e cerca de seis horas até entrar no consultório. Dorotéia Pinto, 50 , saiu de Mafra, no Planalto Norte, a uma hora da madrugada dessa terça-feira em direção à Florianópolis com o filho Bruno Pinto, 7.

O menino tinha uma consulta marcada com cardiologista às 8h, mas só foi atendido às 14h30min e a volta para casa só ocorreu às 18h com o transporte de pacientes da prefeitura municipal de Mafra. 

- É uma jornada de 24 horas, cansativa, mas vale a pena. Lá na nossa cidade os médicos não sabiam dizer o que ele tinha. Ele ficava roxo e sentia dores no peito. Aqui descobrimos tudo, ele fez muitos exames e a médica é um doce, não tem pressa para atender e tira todas as nossas dúvidas - conta.

Lucia Gonçalves também veio de Mafra com o filho Gustavo Gonçalves, 4. Os dois vivenciam a mesma jornada de Dorotéia desde que ele nasceu. Sem especialistas na cidade natal, o Joana Gusmão foi a esperança para o tratamento feito até hoje com gastroenterologista.

Ela chega a fazer a viagem a cada 15 dias. Gustavo passa mal em todas elas, não consegue comer e sente fortes náuseas, por outro lado, volta com todos os exames debaixo do braço. 

- A única coisa que falta no hospital é gente. A estrutura é boa e os médicos que atendem são muito competentes. Se tivesse mais não esperaríamos tanto por uma consulta ou exame. Além disso, com funcionário seriamos atendidos na hora marcada - ressalta.                                               

DIÁRIO CATARINENSE                

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