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Governo cria força-tarefa após quarto atentado à Polícia, em Florianópolis

21 Abr 2011 - 11h50

Qual será o próximo alvo? É a pergunta a ser feita após quatro atentados a tiros e a bomba contra postos policiais e unidade prisional, num intervalo de 20 dias, em Florianópolis. Até agora ninguém foi preso pelos crimes.

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa do Cidadão anunciou uma reação. Na quinta-feira, criou uma força-tarefa para repressão aos ataques e aos incêndios criminosos.

A onda de atentados contra prédios da segurança pública teve o último caso registrado na madrugada de quinta. Foi, pela terceira vez, na área Continental. Por volta das 3h30min, dois homens que tripulavam uma moto 125 cilindradas dispararam tiros contra o portão da Central de Triagem de presos, o Cadeião do Estreito.

Antes de fugir, a dupla ainda arremessou uma bomba caseira no pátio, mas o artefato não explodiu. O circuito interno de monitoramento de um prédio ao lado filmou a ação. Não houve feridos. Policiais militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foram ao local e detonaram o pavio. Era um spray recheado com fita isolante. Dentro havia pólvora e 135 pregos, que causariam estragos ou ferimentos a alguém se a detonação desse certo.

O diretor do Departamento de Administração Prisional (Deap), Adércio Velter, disse que um plano de fuga havia sido descoberto no cadeião por agentes na mesma madrugada, cerca de duas horas antes. Ele suspeita que os tiros e a bomba tenham sido uma retaliação a isso por supostos bandidos que resgatariam os fugitivos.

Adércio não quis fazer relação desse atentado aos outros. O DC apurou que a principal linha de investigação da SSP é a ação da facção criminosa Primeiro Grupo Catarinense (PGC), que age de dentro das principais prisões catarinenses.

Os alvos foram dois postos da Polícia Militar, uma delegacia da Polícia Civil e uma unidade prisional. Ocorreram sempre à noite. Dos quatro casos, três foram na parte Continental da Capital e apenas um na Ilha. Para o delegado da divisão Anti-Sequestro da Diretoria Estadual e presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Santa Catarina, Renato Hendges, o modo das ações indica que se trata de organização criminosa que demonstra poder de ação e também coragem.

- Parece ser algo de hierarquia numa organização em que os executores estão tendo obediência irrestrita de alguém. É preocupante e creio que seja a primeira vez na história de Santa Catarina que fazem ataques assim à polícia - alertou o delegado, um dos mais experientes policiais em atividade na Polícia Civil.

O secretário da SSP, César Grubba, admitiu que a situação preocupa, mas disse que é cedo para apontar a autoria pela facção criminosa. Grubba vê os atentados como retaliação ao combate ao crime pelo Estado e o rigor no sistema prisional. Ao ser indagado sobre a facção, praticamente lavou as mãos ao afirmar que o inquérito sobre o grupo está com o Judiciário.

- (O inquérito) está em juízo com pedidos de prisões e inúmeros pedidos de busca e apreensão. Estamos esperando uma definição do poder judiciário - respondeu Grubba, avaliando que não se pode entender como "folclore" a existência da organização.

Os policiais que investigam os ataques trabalham em sigilo. Grubba declarou que num dos crimes (em Canasvieiras), a polícia identificou a autoria e há mandado de busca e apreensão de um adolescente pelo crime expedido pela Justiça.

Helicóptero será usado na repressão

O anúncio das medidas de repressão aos ataques saiu 20 dias após o primeiro crime, no posto policial da PM, em Coqueiros. Uma força-tarefa para as investigações foi criada. Um grupo especial ficará de prontidão para atuar nos locais em que houver eventuais novos ataques. A equipe contará com helicóptero, uma das armas encontradas para as operações noturnas e a tentativa de identificar e prender os criminosos.

A SSP informou que o plano visa a reprimir os ataques a prédios policiais e também incêndios criminosos que estão sendo registrados na Grande Florianópolis. Foi a primeira manifestação oficial dando a entender que as duas "ofensivas" do crime (ataques a tiros e bomba e os incêndios) possam estar relacionadas.

Nos últimos 30 dias, na Capital e São José, seis carros foram incendiados por desconhecidos na Joaquina, Jardim Atlântico, Novo Campeche, Barra da Lagoa, Monte Cristo e Bairro Ipiranga (São José). Além disso, casas foram queimadas no Morro do Quilombo, no Bairro Itacorubi, onde é procurado um homem conhecido como "Japa". Ele tem prisão decretada e seria ligado à facção criminosa investigada.

À noite, motociclistas serão abordados

As outras promessas da SSP são a intensificação do patrulhamento preventivo nos prédios policiais, abordagens a motociclistas com caroneiro à noite, barreiras nos acessos a Florianópolis e atuação de policiais militares à paisana (P-2) para rondas e campanas perto das instalações da segurança pública.

Sintonia com a Justiça

A mobilização abrange as polícias Civil e Militar, Deap, Instituto Geral de Perícias e setores de inteligências da SSP e das polícias. A SSP informou ainda que vai "afinar canais de apoio e sustentação dos pedidos de representações (prisões e mandados de busca e apreensão) ao Judiciário e ao Ministério Público".

Este último item refere-se ao inquérito da Deic que indiciou pelo menos 20 pessoas supostamente ligadas ao PGC. A polícia pediu as prisões, mas a Justiça ainda não se manifestou. Entre os suspeitos estariam advogados, os quais cuidariam da comunicação entre os presos da facção criminosa e os criminosos que estão soltos. Mas a Deic não revela nomes e nem dá detalhes sobre essa investigação.

Há por enquanto divulgação apenas de cartas apreendidas com quadrilha do grupo presa este mês. Nos bilhetes constavam ordens para assaltos, tráfico de drogas e execução de autoridades do sistema prisional, entre elas o diretor da Penitenciária de São Pedro de Alcântara, onde estão os principais integrantes da facção. A revolta maior dos criminosos seria com a transferência de 21 dos seus líderes para presídios federais pelo país, entre elas a do fundador do PGC, Nelson de Lima, o Setenta.

Fonte: Folha SP

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