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GOLPE DE ESTADO NA TURQUIA. Tanques estão nas ruas

15 Jul 2016 - 22h13
Segundo relatos de testemunhas, as pontes sobre o Estreito de Bósforo, em Istambul, foram fechadas. Tanques, jatos e militares foram vistos em Istambul e em Ancara, a capital do país.

"Este é um ato ilegal tomado por um grupo militar que está agindo fora da linha de comando. Nosso povo deve saber que não permitiremos nenhuma tentativa de ferir a democracia."

No entanto, o Exército da Turquia informou, em comunicado, que assumiu o poder em todo o país. A nota diz que os militares tomaram o poder para proteger a ordem democrática e manter os direitos humanos. O comunicado, divulgado por canais de televisão turcos, afirma que todas as relações externas existentes da Turquia serão mantidas e que o Estado de direito permanecerá como prioridade.

Presidente está a salvo


Fontes do governo confirmaram à BBC e à CNN que o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, está a salvo, mas sua localização ainda é desconhecida. Erdogan estava em férias e falou por celular com a rede CNN de televisão. De acordo com ele, o golpe seria fruto de uma minoria dentro do Exército turco.

Segundo Erdogan, este é um ato encorajado por "estruturas paralelas". O presidente disse ainda que a tentativa de golpe terá a "resposta necessária" e pediu que a população do país vá às ruas contra os militares.

O grupo militar que tomou o poder declarou lei marcial, o que suspende as liberdades fundamentais da população, veta manifestações, censura opiniões e restringe o direito de ir e vir. Também foi decretado um toque de recolher na noite desta sexta-feira.
Nas redes sociais, há informações de que soldados fecham as duas pontes que fazem ligação entre o lado asiático e o europeu de Istambul. Tanques militares estão nas ruas da capital, Ancara, onde há também relatos de tiroteios.

Os militares tomaram a sede da TV estatal e expulsaram seus funcionários. O canal está fora do ar.

A TV turca exibiu imagens de tanques no aeroporto internacional Ataturk, que foi atacado por homens-bomba há algumas semanas em um atentado que deixou 40 mortos. Os voos que partiriam do local foram cancelados. Voos das companhias Lufthansa e da British Airways que seguiam para Istambul foram desviados.

Segundo a agência de notícias Reuters, o secretário de Estado americano John Kerry disse esperar que haja "paz, estabilidade e continuidade na Turquia". O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse que é importante "evitar um banho de sangue".

Tentativas de golpe


O atual presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, faz parte do governo turco desde 2002. Primeiramente como primeiro-ministro, o membro do partido AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento) foi eleito democraticamente em 2014.

A política turca de iniciar uma guerra contra o jihadismo sírio e a guerrilha curda, minoria no país, tem mantido uma grande tensão entre o partido no poder e outros grupos políticos.


Em junho de 2015, o partido pró-curdo HDP chegou a dizer que Erdogan tinha dado um golpe de Estado no país.


Em novembro do ano passado, dois generais da ativa e um coronel da reserva sob a acusação de espionagem, tentativa de golpe de Estado e fundação de uma organização terrorista armada.


(Com agências internacionais)
GNet

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