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FMI alerta para falta de equilíbrio na economia brasileira

20 Jul 2012 - 17h21

O Fundo Monetário Internacional fez um alerta sobre a economia brasileira. Relatório divulgado nessa sexta-feira, 20, destaca a falta de equilíbrio entre investimentos e o alto consumo, o que tem gerado um endividamento preocupante.


Com níveis de endividamento e inadimplência em alta, o Brasil precisa fazer mais para estimular a poupança de governo e consumidores e para encorajar o investimento dessa poupança, afirma. "O reequilíbrio da demanda do consumo para o investimento e as exportações líquidas ajudarão a garantir crescimento forte e equilibrado à frente e dar suporte à competitividade", defende o chefe da missão do FMI para o Brasil, Vikram Haksar, em comunicado.

No documento, o Fundo afirma que as taxas de investimento e poupança do Brasil ficam atrás daquelas de seus pares no G-20 mesmo quando se exclui a China, e elevar esses níveis ajudaria a reduzir a taxa de juros do País, favorecendo a competitividade. Com menos demanda por poupança externa, o Brasil poderá ver sua taxa de câmbio enfraquecer, impulsionando a competitividade, diz o FMI.

As reformas das aposentadorias do setor público em curso, que cortam "generosos benefícios", devem encorajar a poupança privada e tirar alguma pressão dos gastos do governo, diz o relatório, que afirma também que o País precisa desenvolver fontes de financiamento de longo prazo, encontrando alternativas ao BNDES, que atualmente domina o financiamento.

O BNDES deverá se concentrar "no desenvolvimento de um mercado para financiamento de longo prazo e gradualmente desengajar-se de atividades comerciais, incluindo o financiamento às empresas de primeira linha que têm acesso a outros financiamentos", recomenda o Fundo.

Juros x crescimento

Para o FMI, a economia brasileira deve acelerar no segundo semestre do ano devido à flexibilização monetária, mas o crescimento pode pressionar a meta de inflação do governo em 2013.

O FMI acredita que a economia brasileira vai crescer mais de 4% no último trimestre de 2012 na base anual, devido à forte demanda doméstica após o agressivo ciclo de corte da taxa básica de juros pelo Banco Central e pela forte criação de emprego.

"Segundo o cenário base da equipe, as determinações monetárias agora dão suporte mais do que suficiente", disse o FMI em comunicado.

"O ponto fundamental a ser observado é o momento de iniciar a normalização do ciclo para garantir que a inflação volte-se novamente para a meta entre 2013 e 2014."


O FMI revisou para baixo sua projeção de crescimento da economia brasileira em 2012, que foi cortada de 3% para 2,5% na revisão anual da economia brasileira feita pela instituição. Para 2013, a projeção para o PIB brasileiro foi elevada de 4,1% para 4,5% de crescimento.

Crise

No relatório sobre o Brasil, o FMI afirma que o País enfrentou a atual desaceleração na economia global razoavelmente bem por meio de um ciclo oportuno de relaxamento monetário e do compromisso com suas metas fiscais, mas diz que o governo precisa encorajar a poupança e o investimento para trazer o crescimento de volta ao seu curso.

Para o FMI, o compromisso do governo brasileiro com sua meta de superávit primário de 3,1% do PIB também deverá ajudar a estabilidade econômica, mas uma retirada oportuna das medidas de estímulo será necessária para manter a inflação sob controle no próximo ano, recomenda.

A despeito das preocupações com o lento crescimento na Europa e China, que poderá diminuir a demanda pelas exportações de matéria-prima do Brasil e também restringir as fontes de financiamento, o País não está "especialmente vulnerável a contágios" da desaceleração quando comparado com outros países do G-20, resume o FMI.

Na verdade, o Fundo apurou que os riscos ao seu cenário de crescimento do Brasil estão "amplamente equilibrados", com o financiamento dos bancos públicos domésticos ajudando a neutralizar o aperto nas condições globais de financiamento e os preços mais baixos de commodities.

As informações são da Dow Jones.

ESTADAO.COM.BR

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