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Estaleiro de SC foca no luxo e procura já supera produção

28 Mai 2012 - 17h05

Limitar ainda mais o público alvo em um mercado já restrito para poucos foi a estratégia adotada pela fabricante de iates chaefer Yachts para crescer e passar longe da crise que atinge a indústria. O estaleiro 100% brasileiro, com sede em Santa Catarina, focou no segmento superluxo e hoje já está com toda sua produção do ano de iates com mais de 60 pés vendida.


Os dados oficiais sobre o desempenho da economia do país no 1º trimestre serão divulgados sexta-feira (1º), mas indicadores sobre produção, estoques e mão de obra empregada mostram que o ano começou mal para o setor manufatureiro. Prejudicada pela crise na Europa, pelo câmbio e pela concorrência chinesa, a indústria brasileira, sobretudo a de transformação, tem perdido dinamismo e peso na economia. Nos últimos oito anos, apenas em 2004 e em 2010 o setor liderou a alta do PIB. Em 2011, a indústria cresceu 1,6% e a indústria de transformação - que compreende a longa cadeia que transforma matéria-prima em bens de consumo ou em produtos para outras indústrias - avançou apenas 0,1%.

Na Schaefer Yachts, a estratégia de focar no superluxo, com iates de até R$ 10 milhões, tem aumentado tanto o tamanho dos barcos como o faturamento da empresa, que informa ter registrado um faturamento de ceca de R$ 150 milhões em 2011.

O estaleiro não divulga números sobre a evolução do faturamento. Mas nos últimos 5 anos, o número de embarcações fabricadas cresceu mais de 50%. Em 2007, a produção anual girava em torno de 150 barcos. Em 2011, a empresa entregou 234 unidades - 20 a mais que no ano anterior. Para 2012, a empresa prevê entregar 256 barcos.

"Nosso público hoje é o AAA", afirma Márcio Schaefer, dono e yacht designer da marca. "O perfil de cliente mudou, ficou ainda mais seleto, e a receita da empresa aumentou", destaca o fundador da empresa, que já possui 20 anos de mercado e mais de 2,6 mil barcos fabricados.

Nos dois últimos anos, as embarcações maiores, acima de 50 pés e com preços a partir de R$ 3 milhões passaram a responder por mais da metade do faturamento do estaleiro e a procura por esses modelos já supera a capacidade de produção da empresa. "Nosso gargalo é falta de espaço. Mercado para vender não seria problema", diz o empresário.

Ao término do Rio Boat Show, em abril, toda a capacidade de produção do estaleiro no ano para os modelos mais sofisticados já tinha sido vendida. "Estamos com toda a nossa produção vendida. Se recebermos uma nova encomenda agora, só vamos conseguir entregar a partir de janeiro de 2013", afirma Schaefer.

Segundo o empresário, dificuldades na obtenção de licenças para a instalação de um novo estaleiro à beira-mar, bem como a carência de mão de obra qualificada, são os principais obstáculos para o crescimento da produção. "Estou há 4 anos tentando construir uma nova fábrica. Já cheguei a comprar dois terrenos, mas ainda não consegui um terreno para uma fábrica definitiva", explica.

Com toda a produção integrada num único local, a empresa estima que possa elevar a sua produção em pelo menos 30% já no primeiro ano de operação.

Crescimento do mercado interno
Dados da Associação Brasileira de Construtores de barcos e Seus Implementos (Acobar) mostram que o mercado náutico brasileiro cresce a um ritmo de 10% ao ano. São cerca de 150 estaleiros em atividade com uma produção anual de cerca de 5 mil barcos.

Márcio Schaefer, dono, fundador do estaleiro (Foto: Divulgação)

Márcio Schaefer, dono, fundador do estaleiro que
leva o seu nome (Foto: Divulgação)

"Os números no Brasil ainda são acanhados se comparados com os Estados Unidos, por exemplo, onde são vendidos cerca de 100 mil barcos por ano. Mas a náutica está amadurecendo no Brasil e o futuro é promissor", diz o presidente da Acobar, Eduardo Colunna. Ele destaca que o surgimento de novos milionários tem elevado a presença de iates não só na costa brasileira como também nos lagos e rios do interior do Brasil.

"Antes era só o presidente de multinacional que comprava, agora já estamos conseguindo vender para o segundo e terceiro executivo. É um produto de status, que lida diretamente com a felicidade; quem compra um iate está se dando um presente. E o mercado de luxo só tende a crescer no Brasil", avalia Schaefer. As grandes marcas internacionais também já descobriram os milionários brasileiros.

Mas apesar da invasão de importados nos últimos anos, a indústria brasileira ainda tem conseguido responder por mais de 50% das vendas no país, segundo a Acobrar. "Temos um parque náutico industrial ativo, com empresas que atuam há mais de 20 anos no mercado e que não ficam devendo em nada para os importados. O grande diferencial do produto nacional ainda está no pós-vendas". diz Colunna. No segmento luxo, as líderes de mercado no país, segundo a associação, são Schaefer, Intermarine e Ferretti.



















RAIO-X da SCHAEFER YACHTS

Fundada em 1992, empresa emprega 700 funcionários em duas fábricas nas cidades de Palhoça e Biguaçu, SC


Faturamento de cerca de R$ 150 milhões em 2011


Diferenciais: customização dos iates ao gosto do brasileiro, desenvolvimento dos barcos com parceiros nacionais e investimento em treinamento e qualificação da mão de obra



Superiate para 23 pessoas
A linha de iates da Schaefer inclui atualmente 8 modelos totalmente desenvolvidos e fabricados no Brasil, com preços a partir de R$ 300 mil. Até o final do ano, a empresa prevê colocar na água as primeiras duas das quatro unidades já vendidas de seu mais novo modelo, a Schaefer 800 - embarcação de 80 pés, com capacidade para 23 pessoas e que marca a entrada da empresa no segmento de superiates.

Com preço a partir de R$ 8 milhões, o barco oferece quatro suítes, sala de jantar e de estar, cozinha gourmet, solário e garagem para jet ski e bote.

O primeiro modelo de 60 pés da marca foi lançado em maio de 2011. Em 1 ano, a empresa já recebeu 22 encomendas, mas consegue finalizar apenas uma unidade  por mês. "Temos tecnologia para produzir de 2 a 4 barcos por mês, mas hoje a nossa capacidade está limitada a espaço na fábrica", diz Schaefer.

Um dos diferenciais da marca é que os iates são desenhados sob medida para o perfil do público brasileiro, com opcionais que nem sempre são oferecidos pelas marcas estrangeiras como churrasqueira e personalização da planta interna e da decoração. "Como tudo é fabricado por nós, o cliente pode escolher do estofado ao edredon. O iate é entregue completo, com prato, copo, talher, móveis e todos os acessórios. O dono pode chegar só de sunga que terá tudo lá dentro", explica Hemerson Diniz, gerente de marketing da Schaefer.

Fábrica da Schaefer Yachts, em Palhoça (SC) (Foto: Divulgação)

Fábrica da Schaefer Yachts, em Palhoça, Santa
Catarina (Foto: Divulgação)


Desafios para ganho de escala
A empresa emprega 700 funcionários em duas fábricas em Santa Catarina, nas cidades de Palhoça e Biguaçu, mas ainda não possui uma instalação à beira-mar, que permita a finalização dos iates já em água.

Se a demanda é crescente e a indústria nacional tem conseguido competir diretamente com os importados, por que então empresas como a Schaefer não ampliam sua capacidade de produção? "A gente quer aumentar, quer investir, quer crescer mais, mas não consegue. Existem travas no país que não permitem a gente ir para frente", desabafa Schaefer.

Na concorrente Ferretti Brasil, cuja produção no país já responde por cerca de 30% das vendas globais do grupo, a avaliação sobre os entraves para um crescimento maior é semelhante. "Nós enfrentamos uma limitação de infraestrutura para que exista um crescimento sustentável nessa indústria. Em alguns locais como Guarujá, Ilhabela, Angra dos Reis, litoral sul do Paraná até Santa Catarina, as marinas e os iate clubes já estão saturados e os preços estão nas alturas. Apesar de haver investidores e projetos de marinas em andamento, as aprovações ambientais são muito lentas", afirma Marcio Christiansen, CEO da companhia, que mantém uma fábrica Vargem Grande Paulista e não à beira-mar.

Linha de produção de iates em Biguaçu (Foto: Divulgação)

Linha de produção de iates em Biguaçu, SC (Foto: Divulgação)

Na Schaefer, a alternativa encontrada para aumentar a produtividade dentro das mesmas instalações foi o investimento em treinamento e modernização da produção. A empresa afirma ter a quinta a maior máquina de usinagem em operação no mundo, com uma fresadora digital que permite a produção de cascos sem emendas.

"Toda a nossa mão de obra é formada e qualificada dentro da empresa", diz Schaefer. Até o final do ano, o estaleiro pretende abrir uma marina em Florianópolis, que, além de abrigar a parte administrativa, assistência técnica e um show room da marca, permitirá que a montagem final dos iates maiores em água.

"Não parar de investir e inovar é o segredo do negócio. Estamos de pé, e bem, pelos investimentos que temos feito nos últimos anos em qualidade, que têm deixado a empresa cada vez mais competitiva e produtiva. Mesmo com o problema de espaço, já estamos estudando uma maneira de encurtar o tempo de produção para aumentar o nosso ritmo de entregas", afirma o fundador da empresa.

'Embraer da indústria náutica'
A ambição da Schaefer é se tornar uma espécie de 'Embraer' da indústria náutica. "Somos menores, naturalmente. Mas viramos referência no Brasil e frequentemente somos procurados por grandes multinacionais interessadas em trabalhar conosco", diz o fundador do estaleiro.

Como a fabricante brasileira de aeronaves, a Schaefer tem procurado firmar parcerias com fornecedores locais para o desenvolvimento de seus produtos e não abre mão de utilizar as melhores técnicas de produção e os melhores componentes, ainda que parte deles tenham de ser importados.

Interior de iate fabricado pelo Schaefer e customizado ao gosto do cliente (Foto: Divulgação)

Interior de iate fabricado pela Schaefer e customizado ao gosto do cliente (Foto: Divulgação)

Diferentemente de parte da indústria náutica brasileira que atua mais como montadora de modelos desenvolvidos em outros países, os barcos do estaleiro de Santa Catarina são totalmente concebidos no Brasil. A empresa afirma que o índice de nacionalização dos iates é superior a 70%.

"Preferimos trabalhar com itens nacionais. Desenvolvemos vários componentes com parceiros locais. Mas ainda não temos economia de escala para certas fábricas se instalarem aqui", diz  Schaefer.

O motor e os equipamentos de GPS estão entre os principais itens importados, mas os projetos dos iates são desenvolvidos no Brasil. "Toda a parte estrutural, elétrica e de planta interna é desenhada por nós", diz o empresário.

A marca possui 12 revendedores no Brasil, além de representações na EUA, África e Europa. Mas, se as limitações de produção já eram um obstáculo para uma maior internacionalização, a valorização do real no ano passado fez desabarem as vendas para o exterior.

"A gente já chegou a exportar 60 barcos num ano. Nos últimos anos, o preço ficou inviável e o número caiu. Neste ano estamos com exportação zero. Com o dólar a R$ 2 quem sabe não voltemos ao páreo. Por outro lado, o mercado interno se manteve bom e até melhorou, e a gente conseguiu vender mais aqui", conclui Schaefer.

GLOBO.COM.BR

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