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Deslizamentos criam falhas na vegetação da serra Dona Francisca em Joinville

12 Abr 2011 - 11h35

Basta andar pela região rural de Joinville para perceber que as fortes chuvas do verão alteraram a paisagem. No bairro Vila Nova, a cascata do Piraí não é mais o único ponto a contrastar com a mata fechada. Deslizamentos causaram a abertura de grandes falhas, que podem ser vistas de longe.

Mas quais as consequências destes desmoronamentos? O geógrafo José Dionício Kunze, da Univille, explica que, por não ser uma região habitada, os deslizamentos na serra não chegaram a causar grandes danos.

- Mas, como grande parte do material que desceu do morro em 'avalanches' acabou caíndo no rio Piraí, isso provocou um aumento da turbidez da água, o que prejudicou o processo de captação e tratamento da água.

Além disso, devido ao processo de erosão, grandes quantidades de pedras, lama e troncos de árvores foram parar dentro do rio e acabaram provocando estragos em pontes. Numa das chuvas, o problema afetou a adutora da Estação de Tratamento (ETA) do rio Piraí, que abastece 30% da cidade. Durante uma semana, a Companhia Águas de Joinville teve muita dificuldade em abastecer alguns bairros que dependem da ETA do Piraí.

A Defesa Civil chegou a acionar o Departamento Estadual de Infraestrutura (Deifra) para que a área da serra fosse vistoriada - principalmente para saber se novos deslizamentos poderiam atingir alguma estrada ou comunidade rural. Mas, segundo o gerente da Defesa Civil de Joinville, Alvir Schneider, nenhum risco maior foi identificado.

- Como não houve prejuízos à população, não foi necessária nenhuma intervenção -, afirma.

- Apenas casos de deslizamentos que atingiram vias públicas e pontes, por exemplo, receberam atenção conjunta da Defesa Civil e da Secretaria de Infraestrutura -, explica.

- Esteticamente, é feio, mas este é um processo natural -, ressalta o geógrafo José Dionício Kunze, referindo-se às fendas nas montanhas.

- Agora, a tendência é de que a natureza se recupere e a vegetação volte a cobrir essas porções de solo que ficaram mais expostas e, consequentemente, mais sucetíveis a novos deslizamentos.

Situação mais complicada na zona urbana

Se a paisagem da região rural mudou, na zona urbana o que mudou foi a postura de algumas famílias e da Defesa Civil diante dos deslizamentos. Por toda a cidade, mais de mil pontos estão sob monitoramento da Defesa Civil, que é acionada por moradores de áreas de risco a cada chuva mais forte.

Um dos lugares mais perigosos, segundo o órgão, é o loteamento Nossa Senhora Aparecida, o antigo Morro da Formiga, no Petrópolis.

- A região está geologicamente comprometida -, alerta o gerente da Defesa Civil, Alvir Schneider.

- O ideal seria transferir todas as famílias que moram lá e não deixar mais ninguém construir nada lá -, afirma.

Segundo o coordenador operacional da Defesa Civil, Marnio Luiz Pereira, 20 famílias que moram em áreas atingidas por deslizamentos no Morro da Formiga tiveram a casa interditada e deveriam ter deixado o imóvel.

- Cerca de 100 famílias tiveram as casas interditadas por causa de deslizamentos em Joinville e estão recebendo auxílio-moradia para alugar outro imóvel -, diz Márnio.

Mas na prática não é o que acontece, pelo menos no Morro da Formiga.

- Teve gente que até já vendeu a casa, sem informar que ela estava interditada -, conta.

- Outras famílias optaram por ficar na casa, por conta e risco, até por medo de ter a residência saqueada -, diz.

É o caso de


Marlene Fernandes. Desde 2008, a residência onde ela, o marido e cinco filhos moram está condenada pela Defesa Civil. E de lá para cá, a situação só piorou.

- Em janeiro deste ano, o muro caiu -, conta.

A terra cedeu, sobre outra residência, e os pilares que sustentam a casa podem cair a qualquer momento.

- Cada vez que começa a chover forte eu saio, com medo, e vou pra casa da minha mãe -, diz a moradora.

Mas, segundo ela, a família não tem outra alternativa.

- Com o auxílio-moradia, não conseguiríamos alugar um imóvel para uma família grande, como a nossa -, justifica.

- Optamos por receber uma ajuda para construir uma nova casa, nessa parte da frente do terreno, e disseram que logo vai sair o dinheiro -, explica.

Alheio ao perigo, o filho dela, Rafael Fernandes, de 7 anos, brincava próximo à ribanceira, embaixo dos pilares da casa. A mãe diz que se preocupa com a segurança da família, mas não quer deixar o lugar.

- Até procurei os programas de habitação, mas isso não adianta para famílias com cinco filhos, como a minha, então preferimos ficar aqui.

Fonte: Clic RBS

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