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Defesa diz que João de Deus só ‘baixou aplicações de RS 35 mi’, mas não ia fugir

16 Dez 2018 - 18h15Por Fausto Macedo e Paulo Roberto Netto

O criminalista Alberto Toron, que representa o médium João de Deus, negou movimentações suspeitas de R$ 35 milhões na conta e aplicações financeiras e afirmou que o líder espiritual não planejava deixar o País. João de Deus se apresentou às autoridades neste domingo, 16, em Abadiânia (GO), e encaminhado para a Delegacia Estadual de Investigação Criminal (Deic), em Goiânia, onde prestará depoimento.

"O dinheiro não foi sacado, o senhor João de Deus apenas baixou as aplicações. Não houve movimentação. Ele não sacou o dinheiro do banco e não estava fora do Estado", afirmou Toron. Segundo o advogado, o médium prestará depoimento e será encaminhado a uma unidade prisional do Estado.

Em virtude da idade e dos crimes pelos quais é acusado, a expectativa é que o médium seja lotado em uma cela individual.

O criminalista acompanhou as negociações com as autoridades desde a sexta-feira, 14, quando a Vara Judicial de Abadiânia expediu decreto de prisão preventiva contra o médium. Toron afirma encarar com estranheza o fato de denúncias de supostos crimes cometidos há 30 anos terem voltado à tona agora.

"À medida em que os fatos forem sendo apurados, as pessoas forem sendo ouvidas, vamos poder ver se são aproveitadores", disse, ao citar uma holandesa que denunciou João de Deus e que, segundo o criminalista, tem um passado mais que duvidoso. "Se fere de forma tão grave, como mulheres voltaram ao Centro Dom Inácio Loyola, onde foram cometidos os supostos crimes cinco vezes, oito vezes?", questionou.

O criminalista pediu "calma e serenidade" em relação à apuração das acusações. Desde a revelação dos primeiros casos, o Ministério Público recebeu mais de 330 denúncias de abuso sexual contra João de Deus. As acusações vieram dos Estados de Goiás, Distrito Federal, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Pará, Santa Catarina, Piauí e Maranhão, e pelo menos seis países - Alemanha, Austrália, Bélgica, Bolívia, Estados Unidos e Suíça.

"Precisamos de um pouco de calma e serenidade para que não se faça um linchamento", afirmou. "Em respeito a essas mesmas pessoas e mulheres, precisamos fazer essa investigação com todo o cuidado."

O criminalista disse que apresentará um pedido de habeas corpus para suspender a prisão preventiva em troca de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

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