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Dados das caixas-pretas do voo Rio-Paris estão intactos, dizem investigadores

16 Mai 2011 - 11h15

Investigadores que analisam as caixas-pretas do Airbus A330, que fazia o voo 447, da Air France, informaram nesta segunda-feira que os dados contidos nos gravadores estão intactos. Os equipamentos foram recuperados do fundo do mar no início de maio, por um robô submarino.

O Bureau de Pesquisas e Análises (BEA), órgão francês responsável pela investigação, divulgou um comunicado nesta segunda-feira, informando que os cartões de memória que contêm os dados do voo foram limpos e analisados.

- Depois das operações de abertura, extração, limpeza e secagem dos cartões de memória gravadores de dados de vôo, os dados foram lidos durante o fim de semana por investigadores do BEA - diz a nota, segundo informou o site do jornal francês Le Figaro.

O BEA disse que os investigadores devem agora analisar o material, o que deve demorar várias semanas.

Todas as 228 pessoas a bordo do Air France, que ia do Rio de Janeiro para Paris, morreram quando o avião caiu no Oceano Atlântico em 31 de maio de 2009. A causa do acidente ainda não foi esclarecida.

Entenda como funciona a caixa preta de uma avião:

 

Todo avião tem, na verdade, duas caixas-pretas com funções distintas: uma que registra os dados do voo e outra que registra as conversas e sons da cabine.


Flight Data Recorder (FDR): registra dados técnicos do voo. Tem capacidade para guardar de 800 a 1200 parâmetros como: velocidade, altitude, velocidade do ar, altitude de pressão, velocidade com relação ao som, posição do avião, situação dos motores, portas e temperatura.

Voice Recorder: Contém os registros das conversas dos pilotos, das comunicações feitas por rádio e dos ruídos no interior da cabine. Tem capacidade para armazenar em até quatro canais distintos: do comandante, do 1º oficial ou co-piloto, do 3º eventual ocupante da cabine - que pode estar fazendo observações - e de todos os sons emitidos na cabine, como, por exemplo, uma explosão. Pode armazenar até 120 minutos. Desta forma, em um voo de 8h, por exemplo, só serão guardadas as duas últimas horas de conversas, o que aconteceu anteriormente é automaticamente descartado.

As caixas-pretas, que na verdade são laranjas, são do tamanho de uma CPU de computador com a metade da altura. Apenas um terço dela é destinado a armazenar a memória. O cartão de memória é protegido por duas metades externas, feitas de fibra e duas películas de tungstênio, e resiste a fortes impactos, altas temperaturas e profundidade. Este envólucro garante que toda a memória será salva.


Profundidade: pode ser submersa a até 14 mil pés (cerca de cinco mil metros)
Temperatura: suporta até 1100ºC por até 30 minutos
Esforço Mecânico: 3400g por 6,5 milisegundos. Seria como se a memória fosse atingida por marretadas.

Geralmente as caixas-pretas estão localizadas na parte traseira do avião e nem sempre estão juntas. Contam ainda com uma bateria, que possibilita que sinais vibratórios de 37,5KHz, captados por satélites, possam ser emitidos por 30 dias.

Informações: professor Hildebrando Hoffmann, vice-coordenador do curso de Ciências Aeronáuticas da PUCRS

Fonte: Zero Hora

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