GERAL

Casos de dengue crescem 605% em SP

01 Mar 2019 - 12h00Por José Maria Tomazela

O Estado de São Paulo enfrenta nova epidemia de dengue, com maior incidência nas regiões norte e noroeste, mais distantes da capital. Entre o início do ano e o último dia 15, o número de casos confirmados saltou de 1,9 mil para 13,4 mil - alta de 605%, ante o mesmo período de 2018. Já o total de casos suspeitos foi de 15,2 mil para 40,2 mil, conforme a Secretaria da Saúde paulista.

Segundo a pasta, o maior risco da dengue neste verão se deve à circulação do sorotipo 2 do vírus. Na grande epidemia de 2015, quando 1,6% da população do Estado foi infectada, predominou o sorotipo 1 do vírus. Quando o paciente se infecta pelo vírus, de outro sorotipo, os sintomas são mais graves.

Nas regiões com as maiores infestações, como Bauru, Barretos e Araraquara, foi confirmada a circulação do sorotipo 2. Segundo a secretaria, houve 5 óbitos no período - dois em São Joaquim da Barra, dois em São José do Rio Preto e um em Araraquara -, mas as prefeituras confirmaram mais 4 e investigam outras 20 mortes. Dez cidades, oito nas regiões norte e noroeste, concentram 66% dos casos.

Em Bauru, com 3.510 casos confirmados e 12 mortes com suspeita, pacientes lotam as unidades de saúde. O movimento subiu mais de 73,6% desde o início da epidemia. Os cinco postos de saúde (UPAs) atendem 2,7 mil pacientes por dia e o horário foi estendido até 23 horas.

Em Araraquara, ao menos 300 pessoas com sintomas procuram, diariamente, os serviços municipais de saúde. Também foi confirmada a terceira morte por dengue, diz a prefeitura. Ângela Santos, de 66 anos, morreu no dia 10 e os exames deram positivo para a doença. Outros quatro óbitos são investigados.

Na segunda-feira, Valdelaine Deoadato, de 43 anos, morreu após oito dias internada na Santa Casa local com manchas pelo corpo e outros sintomas da doença. A família registrou a morte suspeita por dengue na Polícia Civil. Outros dois óbitos suspeitos tinham sido registrados no sábado - de um idoso de 85 anos e uma mulher de 33.

Bilac decretou epidemia na terça, após registrar 171 casos confirmados este ano, numa população de 7 mil habitantes. Em todo o ano passado, foram só sete casos. Em fevereiro, 802 casas foram vistoriadas e 484 tinham focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença

A doença avança também para o oeste do Estado. No dia 21, Paraguaçu Paulista decretou emergência, com 152 casos confirmados e 350 em apuração. Em 2015, a cidade teve 4,5 mil casos, a maioria do tipo 3. "Sabemos que para cada caso confirmado, há outros quatro não notificados", estima a diretora de Saúde, Cristiane Bonfim.

A Justiça de Mogi Guaçu, região de Campinas, autorizou a prefeitura e entrar em imóveis particulares sem morador para remover criadouros do Aedes. Lá, são 60 casos confirmados e 44 suspeitos, quatro vezes mais que em todo o ano passado.

Família inteira

Em Sorocaba, foram confirmados 39 casos de dengue este ano, mais 16 são importados. A diarista Marilda Cresciulo, de 47 anos, moradora do Jardim Zulmira, zona oeste da cidade, conta que cinco pessoas da família - ela, o pai, a mãe, um irmão e uma sobrinha - tiveram dengue entre 2017 até o início deste ano. "Eu fiquei quatro dias com febre, manchas no corpo e dor de cabeça. Foi horrível, o corpo todo doía, parecia que tinha levado umas pancadas."

Sua sobrinha teve a forma mais grave da doença. "A contagem de plaquetas baixou tanto que ela precisou ser internada e ficou 15 dias de cama, com os sintomas." Apesar de gostar de plantas, Marilda eliminou os vasos de sua casa, com medo de novas infecções. "Vasilha com água, é só o bebedouro do cachorro, mas lavo e desinfeto todo dia."

Capital

Na capital paulista, foram confirmados 126 casos de dengue, segundo boletim divulgado pela Prefeitura em 5 de fevereiro. Há registros em todas as regiões. Campo Limpo, na zona sul, é o distrito que lidera em número de casos (10). Não havia relatos de mortes por causa da doença e, até a data, a cidade não registrava casos de zika e chikungunya, também transmitidas pelo Aedes aegypti. Em todo o Brasil, são 54,7 mil casos prováveis de dengue, alta de 149% em relação ao ano passado. A Região Sudeste concentra 60% dos registros.

Piora em 2020

O coordenador de Controle de Doenças da Secretaria da Saúde do Estado, Marcos Boulos, alerta que a epidemia pior deve vir entre o final deste ano e o início de 2020. "O próximo verão deve ser pior, porque neste a dengue não pegou com força as regiões mais populosas do Estado", disse. "Há uma epidemia em regiões bem definidas, no norte e noroeste, mas o problema maior não é o número de casos e, sim, a circulação de um novo tipo de vírus, que torna a dengue mais grave", acrescentou o infectologista.

De acordo com a secretaria, a dengue é uma doença sazonal - típica do verão - e cíclica, com oscilação de casos e aumento no número a cada três ou quatro anos. Em 2015, segundo a pasta, houve número recorde de infecções, com 709.445 casos. Somente em janeiro daquele ano, foram 41.844 casos.

Ação conjunta

Por diretriz do Sistema Único de Saúde (SUS), ainda segundo a pasta, o trabalho de campo para o combate ao mosquito Aedes aegypti compete aos municípios, mas o Estado presta auxílio. Entre os dias 11 e 16 de fevereiro, o Estado atuou em ações conjuntas com as prefeituras para eliminar criadouros e orientar a população.

Entre os sintomas, estão manchas vermelhas na pele, dores nas articulações, febre e dor de cabeça. Muitas vezes, a dengue é confundida com outras doenças transmitidas pelo Aedes, como zika e chikungunya. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Premix Concreto

Matérias Relacionadas

Geral

Defesa Civil registra deslizamentos de terra em Guaramirim

Um escorregamento de terra ocorreu no morro da Polícia Militar, alagamentos em diversos pontos do interior e centro da cidade pela quantidade de água, entre outros episódios.
Defesa Civil registra deslizamentos de terra em Guaramirim
Saúde

Estado chega a 238 mil doses aplicadas contra a Covid-19

Os dados foram divulgados nesta segunda,1º de março, no Balanço Parcial de Vacinação da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina
 Estado chega a 238 mil doses aplicadas contra a Covid-19
Saúde

Medidas de enfrentamento à covid-19 valem até dia 15 em Jaraguá

A partir desta segunda-feira (1), atividades comerciais não essenciais têm seu funcionamento permitido até as 22h
Medidas de enfrentamento à covid-19 valem até dia 15 em Jaraguá
Saúde

Corupá tem medidas contra o novo coronavírus

Restrições passam a valer nesta segunda-feira (1º)
Corupá tem medidas contra o novo coronavírus
Ver mais de Geral