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Carlos Cachoeira mirava SC para explorar loterias

11 Abr 2012 - 16h25

Novas escutas da Operação Monte Carlo mostram que o grupo do bicheiro Carlos Cachoeira pretendia explorar um sistema de loterias em Santa Catarina. Segundo o inquérito, ao qual o DC teve acesso, integrantes da suposta organização temiam que o governo de Raimundo Colombo extinguisse a Companhia de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina (Codesc), concessionária da loteria estadual.


Em um telefonema registrado às 15h41min de 10 de março de 2011, um homem não identificado relata ao bicheiro a preocupação com a disposição do governo catarinense em fechar a Codesc. Nos diálogos, o homem diz a Cachoeira "tô aqui com o Ênio" e soube, pelo presidente da estatal, da iminente extinção da Codesc. O presidente da Codesc a que ele se referia é Miguel Ximenes de Melo Filho. No relatório da escuta telefônica, a PF diz que o Ênio citado na conversa é Ênio Branco, atual secretário de Comunicação. Na época do telefonema, Ênio presidia a SC Parcerias, estatal catarinense criada para intermediar negociações com empresas por meio de parcerias público-privadas.

- Eu falei com o pessoal de Santa Catarina agora (...) Me falaram que tão querendo acabar com a Codesc. O presidente da Codesc tinha me ligado na semana retrasada, umas três semanas atrás, pra eu ir lá com urgência. O Roberto falou pra eu não ir, que o Ênio estava tratando de tudo (...) - afirma o interlocutor, não identificado.

Na sequência do diálogo, o mesmo homem diz que Roberto - que segundo o inquérito da PF seria Roberto Coppola, um argentino que atuaria como consultor do grupo de Cachoeira - havia sugerido que o bicheiro telefonasse para Ênio em busca de informações. Cachoeira responde que irá telefonar.

Argentino comenta resultado eleitoral

Em outra linha da investigação, a PF interceptou um e-mail de Roberto Coppola em 5 de outubro de 2010, dois dias após a vitória de Raimundo Colombo na disputa pelo governo do Estado. Na mensagem, Coppola conversa com Adriano Souza, apontado pela PF como ex-cunhado e um dos principais laranjas de Cachoeira.
Adriano comenta o resultado da eleição em Mato Grosso e pergunta sobre Santa Catarina:
  "(...) Em Santa Catarina también foi bom con Colombo porque o presidente da loteria era o jefe da campanha do Colombo", escreve o argentino.

Ênio explica por que foi procurado

O secretário estadual de Comunicação, Ênio Branco, confirma que no início de 2011 recebeu ligações de pessoas preocupadas com a extinção da Codesc. A procura, segundo o secretário, se deve ao fato de ele ter trabalhado mais de 20 anos na estatal. Dentre essas ligações, Ênio diz ter sido procurado por uma pessoa, cujo nome não lembra, pedindo para que intermediasse uma audiência com o presidente da Codesc:

- Essa pessoa disse que queria apresentar um parecer de um jurista de renome que poderia voltar a viabilizar receita para a Codesc. Como o assunto não me dizia respeito, já que estava na SCPar, e achei uma coisa estranha, não levei à frente. Não liguei para o Miguel (Ximenes) e não avancei no assunto. Até porque o governador sempre foi contra o jogo.

Na conversa gravada pela PF, Carlos Cachoeira (que está preso desde fevereiro) cita uma visita do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), a Colombo em março do ano passado. Ênio lembra do encontro, mas nega que o assunto Codesc ou loteria tenham entrado em pauta. Perillo passava férias em Jurerê e foi fazer uma "visita de cortesia" a Colombo. 

- Nunca tive contato com Cachoeira, nunca liguei ou recebi qualquer telefonema. A pessoa que me ligou não fez qualquer menção a Carlos e o assunto não foi adiante, não tomei nenhuma providência e não houve qualquer dolo - ressalta Ênio.

Cosdesc estuda volta das apostas

Em janeiro de 2011, logo que Raimundo Colombo assumiu o governo, a possibilidade de extinção da Codesc foi estudada. Na época, a justificativa para o fim da empresa era de que ela estaria dando prejuízo desde a proibição dos bingos. A hipótese não se concretizou e a Secretaria da Fazenda, a qual a Codesc está ligada, planejava redirecionar o foco de atuação da estatal. Atualmente, de acordo com o presidente da Codesc, Miguel Ximenes, que está no cargo há cinco anos, está em estudo a reedição da autorização da empresa para operar a loteria estadual.


- Desde o ano passado temos uma comissão constituída para discutir o assunto. Durante este período, recebemos empresas que operam em outros estados para mostrar as modalidades e formas de operação.

Ximenes acredita que a Codesc pode ter sido citada nas gravações dentro desse contexto, mas garante que o processo foi transparente.

- Não tenho conhecimento deste diálogo. Nunca falei com Cachoeira, lago ou lagoa - disse Ximenes.

Colombo disse que é contra o jogo:

- Eu não instalei o jogo, não vou instalar o jogo. Sou contra o jogo, independente de Cachoeira ou quem quer que seja. Realmente foi admitida a extinção da Codesc, mas sobre implantação do jogo não há nenhuma possibilidade de isso acontecer.

DIÁRIO CATARINENSE

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