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Caps AD trabalha também para diminuição da violência doméstica

No ano passado realizou mais de oito mil atendimentos

05 Mar 2019 - 15h45Por PMJS
Caps AD trabalha também para diminuição da violência doméstica - Crédito: Patrick Titz / PMJS Crédito: Patrick Titz / PMJS

A empregada doméstica E.T.A.M., 52 anos, é casada há 32 anos e oito meses com o operador de máquinas aposentado J. M., 55 anos. Ela conta, aparentemente com carinho, quantos meses já se passaram após o aniversário de casamento. O amor tenta resistir, mesmo depois do sofrimento e da agressão vividos. A esperança é de que o marido mude. J., desde que perdeu o pai, há 30 anos, começou a beber. “E cada vez que bebe fica agressivo”, conta E.. “Ele bebe com muita frequência?” “Todos os dias”. 

A empregada doméstica conta que, quando J. está bêbado, sofre ameaças de morte, ouve palavrões e já teve seu pescoço apertado e uma faca apontada para ele. Toda vez que E. tem hematomas pelo corpo, evita sair de casa. Morre de medo de qualquer homem que passe pela rua. “Não posso chegar perto de um homem. Começo a tremer. Tenho trauma”, relata.

Neste ano, a mãe de duas filhas e avó de uma neta resolveu conversar com o médico do posto de saúde sobre o assunto. O profissional acolheu sua história e a encaminhou para o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (Caps AD), um serviço municipal gratuito e aberto a usuários de álcool e drogas e a seus familiares. 

Caps AD

O Caps AD - localizado na Rua João Piccoli, 488, no Centro - realiza cerca de 215 atendimentos por semana. No ano passado realizou mais de oito mil atendimentos. Oferece acolhimento individual, consulta psiquiátrica, grupos terapêuticos, oficina de música, grupo de vivências, oficina de artesanato, grupo de literatura e oficina de memória.

Conta com duas assistentes sociais, uma enfermeira, três técnicas de enfermagem, uma terapeuta ocupacional, dois psicólogos, um psiquiatra, uma recepcionista e um motorista. Os usuários podem ser encaminhados pelo posto de saúde ou ir diretamente até o Caps AD, de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas. O horário é estendido nas terças-feiras até as 20 horas.

Dia da Mulher

Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, E. aconselha as pessoas que passam por situação semelhante a não esperarem tanto tempo para procurar ajuda. “No pouco tempo em que estou sendo atendida aqui (Caps AD), já me sinto muito melhor, pois pude desabafar, sei que tem profissionais aqui para me ouvir e me ajudar a pensar sobre o que posso fazer”, alegra-se E.. A assistente social do Caps AD Alessandra Medeiros Lopes da Silva revela que, normalmente, quem precisa mais urgente de ajuda é a(o) companheira(o) do usuário, que sofre tanto ou mais com a situação. “Não temos uma solução pronta. Mas com o nosso atendimento, vamos clareando a situação para a pessoa. É um processo. Quem vai decidir sobre sua vida é a própria pessoa”, destaca Alessandra.

Com atendimento psicológico, de assistência social, psiquiatria, entre outras especialidades, os usuários podem recuperar sua autoestima, amenizar os danos já sofridos, ter mais qualidade de vida, muitas vezes recuperando emprego e convivência com a família. No caso da empregada doméstica, a convivência em casa já está melhorando, de acordo com ela. J. está participando do Caps AD também, depois do encaminhamento do médico, e está mais calmo. Ele participou do grupo de vivências, que acontece todas as quintas-feiras, às 9h30, e reúne cerca de 20 pessoas que trocam experiência contando fatos de suas vidas, sempre com a mediação de um profissional do Caps AD.  


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