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14 mil contêineres parados podem levar porto ao caos operacional

15 Ago 2012 - 21h21

Com a greve dos servidores federais, os Portos de Itajaí e Navegantes acumulam 14 mil contêineres parados à espera de liberação por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que tem apenas dois servidores trabalhando de um total de treze. As informações são do superintendente do Porto de Itajaí, Antônio Ayres dos Santos, que participou da reunião da Câmara de Transporte e Logística da Federação das Indústrias (FIESC), nesta quarta-feira (15), em Florianópolis. "No momento, as condições do Porto de Itajaí estão sob controle. Estamos tendo a preocupação que vai faltar espaço na área primária. Isso poderá criar em breve um caos operacional, aí os navios não poderão descarregar por falta de espaço e vão ter que voltar", alertou ele.

Conforme Ayres, a chegada dos navios está sendo realizada forma praticamente normal, com pequenos atrasos. O grande problema é quando a carga é depositada no porto. Para que ela seja nacionalizada, precisa de liberação de órgãos federais.

Ainda segundo o superintendente, hoje a preocupação maior está no desembaraço de cargas para as indústrias de alimentos e farmacêutica. Esta última recebe cargas consideradas emergenciais, que tem como destino laboratórios e hospitais. "Com a greve não estão sendo liberados esses itens de maneira adequada por conta da falta de gente", disse ele, destacando que os servidores dão prioridade para despachar essas cargas e para àquelas em que as empresas têm liminares. No entanto, o número reduzido de pessoas trabalhando não dá conta do volume de trabalho. "Essa retenção é que causa reclamação por parte do mercado", disse Ayres.

Durante a reunião, ele declarou que há muitas reclamações de hospitais como Albert Einstein, Hospital das Clínicas de São Paulo e o Hospital do Câncer de Barretos. Tem um grande laboratório que tem mais de 100 liberações retidas por falta de atendimento da Anvisa. Com as cargas presas, pode faltar material no mercado, e, consequentemente, afetar a população.

"Nosso país já tem um grande problema de competitividade, com infraestrutura precária. Isso encarece o produto e quem é penalizado é o consumidor final. A sociedade é quem paga por tudo isso", afirmou o presidente da Câmara, Mario Cezar de Aguiar, destacando que a greve agrava ainda mais a situação atual.

O presidente da FIESC, Glauco José Côrte, disse que no caso do setor agroindustrial, a greve atinge desde o produtor rural, que tem um sistema integrado de abastecimento dos frigoríficos, até a exportação abrangendo produção, transporte e armazenagem, que acarretam custos adicionais à indústria. No setor de transformação, corre-se o risco de desabastecimento de insumos e matérias-primas o que pode levar à redução da produção ou, em casos extremos, da paralisação das atividades industriais. "O prejuízo maior são a sequelas que uma paralisação pode ocasionar, como a perda de contratos, multas e redução de espaço no mercado internacional, além da queda na movimentação dos portos do Estado", afirmou Côrte.

A FIESC, que já conseguiu liminares para agilizar a liberação de cargas por parte da Receita Federal e da Anvisa, aguarda decisão de liminar quanto à greve dos servidores do Ministério da Agricultura.

São Francisco: na reunião, o diretor de logística do Porto de São Francisco do Sul, Arnaldo S'Thiago, afirmou que a situação no porto está "quase normal" e que até o momento não se pode falar em prejuízos. No entanto, certificados emitidos pela Anvisa que levavam 48 horas estão demorando 96 horas para serem liberados. O porto recebe em média 70 navios por mês.

Assessoria de Imprensa do Sistema FIESC

Premix Concreto

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