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Futebol

Copa do Mundo Feminina inicia na França com 24 seleções

Nós conversamos com jornalistas, árbrita e atletas para falar sobre o machismo que envolve o futebol feminino e sobre a importância da transmissão da Copa do Mundo Feminina

08 Jun 2019 - 09h57Por Camila Silveira Rosa
Duda Santos já jogou na Seleção Brasileira - Crédito: Arquivo PessoalDuda Santos já jogou na Seleção Brasileira - Crédito: Arquivo Pessoal

Quem disse que mulher não pode jogar futebol, escrever sobre futebol ou comentar sobre futebol? Quem disse que mulher não entende das regras, dos lances esportivos e de times? Sim, quem vos conta sobre o futebol feminino, é uma mulher e nesta matéria, ouvimos elas, que são protagonistas dentro do esporte provando que sim, podemos fazer tudo isso.

Iniciou nesta sexta-feira (7), a oitava edição da Copa do Mundo Feminina. A maior competição do futebol será sediada na França e contará com 24 seleções, entre elas, o Brasil.

Durante 40 anos, o esporte, de modo geral, foi proibido para mulheres no país através do Decreto de Lei 3199, do governo de Getúlio Vargas. Após sete anos do fim da lei, a Seleção Brasileira feminina entrada em campo pela primeira vez, em 1986, para jogar contra os Estados Unidos em um amistoso. 

E essa proibição, ajudou a criar situações de machismo e a vermos o futebol como coisa de homem, quando na verdade não existe gênero no futebol - e quando falamos em gênero, nos referimos a masculino e femino -, como destaca a jogadora da Seleção de Futsal 7, Ana Caroline da Cunha Vicente, 26 anos.

Afim de tentar diminuir essa lacuna criada por esse decreto e a diferença entre o futebol masculino e o feminino, os clubes de futebol da Série A do Brasileirão, são obrigados a criarem um time feminino, tanto adulto quanto base. E a apresentadora e jornalista esportiva do Globo Esporte de Santa Catarina, Alessandra Flores, de 30 anos, que desde pequena é apaixonada por esporte, diz que por mais que seja obrigatório, é positivo e o futebol feminino só tem a crescer.

E com esse crescimento, espera-se que frases como "futebol é coisa de homem", "não sabe nem chutar uma bola" ou "vai lavar uma louça", não exista mais, pois como comenta a árbrita jaraguaense e orientadora de atividade física, Charly Wendy Straub Deretti, 32 anos, há diferença sim, entre o futebol masculino e o feminino. 

Se um árbrito homem já é chingado, uma mulher então é pior ainda. Mas, se um homem faz um comentário errado sobre algum jogador ou critica o time, ninguém fala nada. Agora, se uma mulher fizer isso, coitada, será massacrada. E a jornalista, produtora de conteúdo e videomaker, Christiane Mussi Ponciano, de 33 anos, que trabalhou no GloboEsporte.com, comenta sobre esse machismo no eixo Rio-São Paulo.

Apesar das piadinhas, Christiane buscava lidar com elas de forma humorada no dia a dia.

Alessandra Flores - ela esperar um dia ser comentarista esportiva (Foto: Arquivo Pessoal)

Quem teve que respirar fundo uma vez ao atender o telefone, foi Alessandra. O homem do outro lado da linha, queria falar com outro homem, mas ela respondeu com classe que não havia homens naquele momento na redação do Globo Esporte. 

Ela lembra também que no início da carreira foi em uma entrevista coletiva, onde no final o outro repórter, um homem, ficou impressionado com a participação da jornalista e com as perguntas que ela fazia. E como ela mesma diz "estou sendo paga para isso". 

Machismo no campo

Catarinense 2019 - Chapecoense x Metropolitano apitado por Charly (Foto: Arquivo Pessoal)

Se fora das quadras ou das linhas do gramado, o machismo é grande, quem está literalmente dentro dele, o desafio é ainda maior. Charly lembra de uma situação de final de jogo em que apitou e acabou sendo empurrada pelo jogador.  

Ela salienta que entrar na Confederaçaõ Brasileira de Futebol (CBF), não é nada fácil. E para que pudesse apitar os jogos masculinos - sendo a sua estreia neste sábado (8), pelo Campeonato Brasileiro Série D masculino -, a jaraguaense teve que passar por provas masculinas. 

Mas a apesar de todos os desafios, ela se realiza fazendo isso. Para ela, ao mesmo tempo que é algo prazeroso é extremamente difícil e as pessoas que julgam a atuação de um árbrito dentro de campo, não sabem como é difícil ser razão. 

Quem nunca passou por machismo foi a jornalista, professora de planejamento visual e digital, Kérley Winques, de 26 anos. A gaúcha que cresceu ouvindo a família falar sobre futebol, assistindo futebol com a família, aprendeu sobre o esporte com o pai que sempre esteve muito ligado com isso, pelo fato de ser juíz e técnico. 

E a gaúcha lembra com muita carinho, da primeira chuteira amarela que ganhou aos 14 anos, ou seja, recente. Segundo ela, o pai ao perceber que a jovem gostava de futebol a incentivou. "Lembro quando ele chegou em casa com a chuteira amarela. Era meu aniversário", comenta ela com brilho nos olhos. 

Quando os pais apoiam os filhos em suas decisões, os desafios ficam menores e os sonhos ficam maiores ainda. E quem sabe muito bem é a catarinense Thaíni Nunes, de 22 anos, lateral esquerda do Avaí Kindermann. Segundo a atleta, foi através do futebol que ela conheceu lugares que talvez não conheceria sem ele. 

#DeixaElaTrabalhar

O #DeixaElaTrabalhar foi uma forma das mulheres que trabalham no esporte se manifestarem contra os assédios. 
Ele foi desencadeado após em uma cobertura esportiva entre Vasco e Universidad do Chile, que aconteceu no dia 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro, a repórter Bruna Dealty, do canal Esporte Interativo, ser beijada à força por um torcedor. 

Christiane Mussi (Foto: Arquivo Pessoal)

Na época, a repórter disse que a atitude "não foi legal", mas continuou a transmissão. Em Porto Alegre, três dias antes, portanto dia 11 de março, um torcedor do Internacionl insultou e agrediu fisicamente a repórter da rádio Gaúcha, Renata Medeiros que fazia a cobertura do Grenal. O torcedor disse à jornalista "Sai daqui, sua puta". 

Frente a isso, começou-se um momento com cerca de 50 jornalistas mulheres de todo o país contra comentários violentos e ameaças de estupro sofridas por elas. A jornalista Christiane foi uma das responsáveis por encabeçar a hastag. 

Assita o vídeo #DeixaElaTrabalhar 

A jornalista diz ainda que já presenciou amigas conseguirem entrevistas com determinados jogadores ou uma entrevista importante para a carreira e nos bastidores infelizmente é comum ouvir comentários como "ela deve ter transado com ele para conseguir isso". Ou seja, a mulher tem que sempre provar que é capaz de conseguir entrevistas e ocupar o seu espaço na sociedade machista em que vivemos, principalmente no esporte e no futebol, todos os dias. 

Trasmissão

Thaíni Nunes (Foto: Arquivo Pessoal)

Esse ano, os jogos da Seleção Brasileira serão transmitidos pela Globo e pela Band, mas quem quiser acomapanhar todos os jogos, tem a opção de assistir pelo SporTV. E para Duda Santos, que já jogou na Seleção Brasileira Sub-20, em um time de Israel e hoje é atacante do Avaí Kindermann, esse é um passo importante para o futebol feminino pela visibilidade que a emissora tem.

E Ana Caroline, acrescenta dizendo que antes as marcas diziam que o futebol feminino não dava retorno. 

Alessandra lembra que neste ano a CBN cobriu Avaí Kindermann e Santos futebol feminino e, segundo ela, a emissora de rádio fez uma cobertura diferente somentecom mulheres e claro, a catarinense que é muito boa na repórtagem de campo, foi escalada para isso e ela comenta que foi um desafio traduzir para o linguagem do rádio o que estava vendo, afinal, ela trabalha com a televisão. 

O sonho de todas essas mulheres é um só: o mesmo reconhecimento que dão para o futebol masculino, pois não existe esporte para homem ou para mulheres. E cada futebol tem um estilo diferente. 

Duda Santosno time de Israel (Foto: Arquivo Pessoal)

O primeiro jogo da Seleção Brasileira é neste domingo (9), contra a seleção da Jamaica. O jogo será às 10h30.


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