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ECONOMIA

Tensão externa pesa, mas alta das taxas é limitada por pessimismo com atividade

13 Mai 2019 - 19h14Por Denise Abarca

O temor de uma escalada protecionista na guerra comercial entre Estados Unidos e China manteve a ponta longa da curva de juros mais inclinada à tarde, nesta segunda-feira, 13, embora com alta limitada pelo pessimismo sobre a atividade no Brasil. As taxas curtas fecharam de lado, diante da agenda fraca do dia e na espera pela ata do Copom nesta terça-feira.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou a sessão regular em 6,92%, de 6,881% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2023 subiu de 7,992% para 8,05%. A taxa do DI para janeiro de 2025 encerrou em 8,60%, de 8,532%.

O período da tarde foi de manutenção das taxas futuras nos patamares em que haviam encerrado a manhã, ou seja, entre 5 e 6 pontos-base acima dos ajustes anteriores no caso das longas, sustentadas pelo mau humor externo. Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho, afirma que na sexta-feira havia esperança de um fechamento de acordo sino-americano, mas após a entrada em vigor das novas tarifas impostas pelos EUA com consequente retaliação da China, "fica a expectativa de EUA voltarem a aumentar a pressão". "A percepção é que as negociações emperraram", disse. "Temos a curva empinando na parte longa, mas a curta não mexe muito com economia fraca. O câmbio testou R$ 4 mas já voltou e temos as bolsas sofrendo impacto maior", avaliou.

Para o economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, a recomendação para a semana é "cautela". "Temos uma situação onde devemos ver Trump na ofensiva mais uma vez e isto significa juros mais altos, dólar mais forte e queda nas bolsas. O limite deste processo obviamente é incerto", disse.

Um aumento do protecionismo nas duas superpotências pode ampliar uma desaceleração da economia global e afetar os fluxos de capital para emergentes, pressionando o câmbio doméstico. No entanto, o contágio para a curva é filtrado pelo pouco espaço para repasse da alta do dólar aos preços. "Estamos numa situação mais favorável para absorver choques externos comparada a anos atrás, hoje com moderado déficit em conta corrente, reservas cambiais elevadas e baixa exposição da dívida em dólar", disse Rostagno.

Nesta terça, será divulgada a ata do Copom, com detalhes do que foi pincelado pelo comunicado, considerado marginalmente "dovish" pelo mercado, com atenção especial sobre a avaliação do BC em relação à fraqueza da economia. Outro fator capaz de "fazer preço" é a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, referente ao primeiro trimestre. Segundo o Projeções Broadcast, as expectativas são todas de queda, de 1,3% a 0,1%, com mediana negativa de 0,30%.

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