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ECONOMIA

Queda em NY na quarta-feira pesa no Ibovespa, que inicia abaixo dos 96 mil pontos

02 Mai 2019 - 11h27Por Maria Regina Silva

Após ficar fechado na quarta-feira, 1º de maio, por causa do feriado do Dia do Trabalho, o mercado acionário brasileiro se ajusta nesta manhã às perdas registradas nas bolsas de Nova York, iniciando o primeiro dia útil de maio em baixa. Às 10h14, o Ibovespa caia 0,94%, aos 95.447,20 pontos.

Além disso, o compasso de espera dos investidores pelo início dos trabalhos na Comissão Especial que analisará a proposta de reforma previdenciária semana que vem e o recuo do petróleo no exterior reforçam a expectativa de queda, conforme operadores.

Entretanto, alguns profissionais do mercado consideram que eventual declínio do principal índice à vista da B3 pode ser limitado ou até mesmo tende até subir, diante da quase estabilidade do pré-mercado de ações dos EUA nesta manhã.

Apesar de o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) ter mantido o juro como o esperado, as palavras do presidente da instituição, Jerome Powell, podem ter colocado uma pausa na expectativa de muitos de corte na taxa básica. Isso porque a autoridade monetária afirmou que a inflação baixa por lá pode ser passageira.

"Essa postura mais cautelosa sugere que o banco central manterá a taxa de juros no patamar atual até que a inflação mostre sinais consistentes de que ultrapassará a meta, diante dos sinais de atividade mais forte", observa nota do Bradesco. A afirmação de Powell para alguns pode até sugerir um aperto monetário mais à frente.

Para um operador, o desempenho dos principais American Depositary Receipts (ADRs) brasileiros negociados na Bolsa de Nova York, que fechou em queda ontem, sugere que o Ibovespa pode cair hoje depois de recuar 0,17%, aos 96.353,33 pontos na terça-feira. "O recuo dos ADRs na véspera pode ser um sinal. Cederam bem depois do presidente do Fed", diz.

A autoridade monetária manteve as taxas dos Fed Funds entre 2,25% e 2,50% e cortou os juros sobre excesso de reservas (IOER) de 2,40% para 2,35%.

Contudo, hoje, os papéis estão subindo em Nova York. "Pode ser um indicativo de melhora por aqui", cita o economista-chefe do ModalMais, Álvaro Bandeira.

O economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria Integrada, considera que pode não haver necessidade de ajuste na B3 aos movimentos externos de ontem. "Os ativos locais devem manter a postura de espera pelo início dos trabalhos da Comissão Especial, na próxima semana. A despeito das dificuldades e de indicações mistas, tem prevalecido uma leitura mais promissora acerca da reforma da Previdência", escreve.

Ainda assim, Campos Neto admite que há dúvidas na questão da articulação política do governo, algo que não autoriza otimismo neste momento.

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