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Economia

Programa federal fomentará cadeias produtivas da bioeconomia

O programa Bioeconomia Brasil Sociobiodiversidade é uma remodelação de outro programa com foco no extrativismo, que foi herdado do Ministério do Meio Ambiente

24 Mai 2019 - 06h00Por Agência Brasil
Produtores apresentam suas mercadorias na Green Rio - Crédito: Tomaz Silva/Agência BrasilProdutores apresentam suas mercadorias na Green Rio - Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) lançou ontem (23), no Rio de Janeiro, o programa Bioeconomia Brasil Sociobiodiversidade. A iniciativa tem como objetivo fortalecer as cadeias produtivas que usam os recursos naturais de forma sustentável, gerando renda para pequenos e médios agricultores e para comunidades tradicionais.

"Queremos olhar para as atividades que eles desenvolvem como cadeias produtivas do setor primário brasileiro. Vamos pensar de que forma se pode agregar mais valor e gerar renda para os agricultores, extrativistas e ribeirinhos que estão lá na ponta. E pensar na possibilidade de se desenvolver agroindústrias, de alcançar os mercados internacionais", disse secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Mapa, Fernando Schwanke.

O lançamento ocorreu na abertura do Green Rio, feira de negócios que acontece anualmente desde 2012, e reúne expositores, palestrantes, empreendedores e representantes da chamada bioeconomia. Aberto ao público e com entrada franca, o evento vai até sábado (25) na Marina da Glória, na zona sul da capital fluminense.

Schwanke explicou que o programa Bioeconomia Brasil Sociobiodiversidade é uma remodelação de outro programa com foco no extrativismo, que foi herdado do Ministério do Meio Ambiente. A reformulação foi pensada para dar uma roupagem de profissionalização ao extrativismo e à agricultura familiar, tornando-os mais forte para a economia brasileira. Segundo ele, o setor movimenta atualmente R$ 1,5 bilhão ao ano, mas tem potencial para crescer.

"Comenta-se que só o açaí, em questão de 10 anos, poderá movimentar R$ 10 bilhões. De todas as cadeias produtivas que estamos falando, talvez essa seja a que melhor conseguiu se organizar para atender tanto o mercado nacional quanto no mercado internacional", disse.

Segundo o secretário, a agricultura familiar tem um papel importante na utilização da sociobiodiversidade brasileira para criação de produtos de alto valor agregado, que podem ter aplicação, por exemplo, na indústria alimentícia, farmacêutica e de cosmético.

Projetos

Integram o programa cinco projetos: Pró-Extrativismo; Roteiros da Sociobiodiversidade; Potencialidades da Agrobiodiversidade Brasileira; Energias Renováveis para a Agricultura Familiar e o projeto Ervas Medicinais, Aromáticas, Condimentares, Azeites e Chás Especiais do Brasil.

Ainda não há previsão do volume de recursos que serão investidos. "Talvez a articulação seja até mais importante do que o dinheiro. Precisamos alinhar todos os atores e quem sabe até captar recursos internacionais, por exemplo, do Bando Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Debaixo do guarda-chuva do ministério, temos inúmeros ações voltadas para a organização dessas cadeias produtivas", disse Schwanke.

Uma preocupação especial será dedicada à questão logística. "Estamos falando de produtos que saem da floresta, que chegam numa vila, que às vezes tem que ser transportados por mil, dois mil ou três mil quilômetros para chegar no seu mercado", acrescentou.

Acordo

Também na abertura do Green Rio, o Mapa anunciou um acordo de cooperação técnica com o instituto Julius Kühn, vinculado ao governo da Alemanha. Segundo Schwanke, os alemães têm uma tecnologia avançada na área de fármacos, que inclui métodos evoluídos para extração de óleos de plantas medicinais. Serão desenvolvidas ações conjuntas, com a participação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), estatal vinculada ao Mapa.

Green Rio

De acordo com a coordenadora do Green Rio, Beatriz Martins Costa, as novidades apresentadas pelo Mapa são os principais destaques desta edição do evento. "Existem vários programas de bioeconomia em todo o mundo. Mas eu não conheço nenhum que tenha essa recorte, que tenha um olhar focado na agricultura familiar e no cooperativismo. E isso é estratégico para o Brasil", disse.

Beatriz explicou que a primeira edição do evento nasceu paralelamente à Rio+20, conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável, realizada em 2012, no Rio de Janeiro. Na época, a preocupação era dar centralidade às discussões em torno da bioeconomia, que envolve uma preocupação com o esgotamento dos recursos naturais e busca promover cadeias produtivas que adotam processos sustentáveis. "Vai desde um produto orgânico até uma energia renovável, como a biomassa por exemplo", explicou.

O evento também propicia a interação entre o produtor e consumidor com estantes para a comercialização de produtos. Presente na feira, o Serviço Social do Comércio do Rio de Janeiro (Sesc Rio) oferece ainda oficinas sobre boas práticas de sustentabilidade econômica e ambiental, que ensinam, por exemplo, dicas de reaproveitamento de cápsula de café, couro, tecido e plásticos.


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