Economia
Produção Industrial de SC cai 1,8% em agosto em relação ao mês anterior
Resultado foi puxado por queda na produção de produtos de madeira (-8,4%), fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (-7,5% ) e metalurgia (-7%); tarifaço explica desempenho negativo
- Crédito: CNI/Divulgação A produção industrial catarinense já reflete os impactos do tarifaço norte-americano sobre as exportações brasileiras. No mês de agosto, o indicador medido pelo IBGE mostrou recuo de 1,8% em relação a julho.
Documentário lembra o assalto aos caixas eletrônicos do Angeloni em Jaraguá do Sul
“Os números da produção industrial comprovam o que o industrial já vinha sentindo: uma redução no números e pedidos, reflexo principalmente das altas tarifas para os Estados Unidos, mas também uma desaceleração da demanda interna em alguns segmentos”, explica o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Gilberto Seleme.
Dados compilados pelo Observatório FIESC mostram que a fabricação de produtos de madeira foi o setor com maior queda em agosto frente ao mês anterior, de 8,4%. O economista-chefe da Federação, Pablo Bittencourt, explica que o resultado reflete uma antecipação de pedidos dos clientes dos EUA - o que elevou estoques - e também a redução da demanda motivada pelo impacto da tarifa nos preços. Santa Catarina é o estado que mais exporta produtos de madeira para os Estados Unidos. Em 2024, foi responsável por 36,7% das exportações brasileiras de produtos de madeira para o mundo, das quais 41% tiveram como destino os EUA.
Sintonize, siga e curta a Rádio Jaraguá no Insta, Face e YouTube
Envie vídeos, fotos e informações pelo whats 47 98465-0122
O setor de metalurgia teve recuo de 7%, também reflexo da política tarifária norte-americana sobre as exportações catarinenses. Já a queda de 7,5% na fabricação de veículos automotores, reboques e carroceria, tem em fatores domésticos sua principal causa. Bittencourt destaca que a alta taxa de juros prejudica o setor de duas formas: encarece o crédito e adia investimentos em bens como caminhões, que representam uma parcela significativa da produção metalúrgica de Santa Catarina. O alto nível de endividamento das famílias também impacta o desempenho, com redução de vendas de veículos leves, exceto os veículos “verdes” incentivados pelo programa Mover.
“O desempenho levemente positivo do setor de móveis, com alta de 0,6%, mascara um processo contínuo de desaceleração que vem ocorrendo desde o final de 2024. Essa tendência reflete a fraqueza da demanda interna, afetada pelo elevado nível de juros”, explica o economista. O setor depende mais do mercado brasileiro do que o de produtos de madeira. Ainda assim, a forte queda nas exportações — especialmente em setembro (-55% para os EUA) — deve continuar impactando a produção nos meses de setembro e outubro. A indústria catarinense de móveis foi responsável por 27,6% das exportações brasileiras do setor, sendo o segundo estado mais relevante. Contudo, na exportação destinada aos EUA, Santa Catarina respondeu por quase metade (46,5%) dos embarques de produtos de móveis.
Também chama a atenção o recuo na fabricação de bens intermediários, como produtos químicos (-1,6%), borracha e plásticos (-1,9%). Esse desempenho sinaliza desaceleração de pedidos de produtos como embalagens, dando uma indicação de que a produção industrial pode manter essa trajetória negativa para os próximos meses.
Matérias Relacionadas
Economia
Famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para bets em 2025
Empresas de apostas movimentaram R$ 351 bilhões no período

Educação
Ideb 2025: Municípios do Vale do Itapocu têm desempenho acima da média nacional
Apenas Barra Velha ficou abaixo na média nacional, enquanto São João do Itaperiú não teve dados divulgados

Economia
Cidade Gás completa 32 anos em Jaraguá do Sul com foco em qualidade, segurança e atendimento

Economia
Jaraguá do Sul gera 286 novos empregos com carteira assinada e mantém saldo positivo no Caged

