ECONOMIA

Juros se ajustam em alta antes de Copom, Fed e proposta de reforma para militares

20 Mar 2019 - 11h21Por Luciana Antonello Xavier

Os juros futuros oscilaram perto dos ajustes anteriores nos primeiros negócios, mas exibiam leve alta na manhã desta quarta-feira, 20.

Às 9h54, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 estava a 6,37%, de 6,360% no ajuste de ontem; o DI para janeiro de 2021 subia a 6,95%, de 6,90% no ajuste de ontem. Já o DI para janeiro de 2023 estava em 8,00%, de 7,96% no ajuste de ontem.

Essa correção positiva das taxas destoa da queda do dólar ante o real, que chegou a registrar uma alta pontual mais cedo. No horário acima, a moeda americana voltava a recuar 0,12%, aos R$ 3,7844. O dólar futuro para abril caía 0,13%, aos R$ 3,7850.

O dia é de decisões de política monetária dos bancos centrais do Brasil (18 horas) e dos Estados Unidos (15 horas) e de uma postura mais dovish (suave) de ambos, mas no foco local está também no envio nesta quarta da proposta de reforma da previdência dos militares ao Congresso. Fora esses dois eventos locais, a agenda de indicadores está esvaziada.

Na terça-feira, as taxas de longo prazo fecharam em queda e as mais curta, estáveis, propiciando uma desinclinação da curva a termo.

A equipe econômica quer uma reforma mais dura para os militares, conforme apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. A intenção é buscar uma economia maior que os R$ 92 bilhões projetados para os primeiros dez anos. O projeto entregue pelo Ministério da Defesa resultaria num custo extra líquido de R$ 10 bilhões na primeira década.

Já a cúpula das Forças Armadas age para acalmar a insatisfação na tropa por conta da perspectiva de perdas com o projeto de reforma. Generais e coroneis afirmam aos subordinados que, caso seja aceito o projeto elaborado no Ministério da Defesa para a reestruturação da carreira (que acompanhará a reforma militar), ao final de 2023 a elevação dos salários de um general chegaria a 27% e de um praça (suboficial e sargento) a 46%.

Com relação à política monetária, o comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a Selic em 6,5% ao ano pela oitava vez seguida na primeira reunião sob a gestão de Roberto Campos Neto e a curiosidade está no teor do comunicado. A expectativa é de ele siga o caminho do seu antecessor, Ilan Goldfjan. Em sabatina no Senado na semana passada, Campos Neto falou que a redução da inflação e a ancoragem das expectativas só foram possíveis.

Já nos EUA, de modo geral, a expectativa é que o Fed reforce o tom "dovish" - favorável à manutenção de estímulos - dos últimos meses, diante de sinais de desaceleração dos EUA e de outras grandes economias.

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,3% na passagem de dezembro de 2018 para janeiro de 2019, segundo o Monitor do PIB da Fundação Getulio Vargas (FGV). Na comparação com janeiro de 2018, a atividade econômica avançou 1,1%.

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