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ECONOMIA

Juros fecham em baixa com IPCA-15, petróleo e percepção sobre economia global

23 Nov 2018 - 18h00Por Denise Abarca

O mercado de juros manteve-se descolado do movimento de aversão ao risco que pautou os demais ativos e as taxas percorreram toda a sessão desta sexta-feira, 23, em queda firme. O IPCA-15 de novembro abaixo da mediana das estimativas respondeu por boa parte do alívio de prêmios, mas fatores como o recuo do petróleo e o aumento do risco de desaceleração do crescimento global ajudaram no fechamento da curva, que já tem poucos vencimentos com taxas acima de dois dígitos. O fluxo doador, que tem sido essencialmente de players locais, acabou levando a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 a fechar no piso histórico, em 7,86%, de 7,923% na quinta-feira no ajuste.

Nos demais vencimentos, a taxa do DI para janeiro de 2020 fechou em 6,91%, de 6,972% na quinta no ajuste, e o DI para janeiro de 2023 encerrou em 9,02%, de 9,093% na quinta no ajuste. A do DI para janeiro de 2025 passou de 9,632% para 9,53%.

O IPCA-15 de novembro de 0,19%, abaixo da mediana das previsões de 0,25%, já colocou os juros em queda desde a abertura dos negócios, refletindo a percepção de que o cenário para a inflação pode ser ainda mais tranquilo do que se imaginava. Foi a menor taxa para o mês desde 2003, quando ficou em 0,17%. Para o índice fechado de novembro, há expectativa de que possa haver deflação. As apostas de Selic estável na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em dezembro cresceram na curva a termo. Segundo a Quantitas Asset, os DIs apontavam nesta sexta 82% de chance de manutenção da taxa básica em 6,50%, ante 75% na quinta.

Enquanto o petróleo acentuava a queda ainda pela manhã, levando o dólar a inverter o sinal para alta, os juros mantiveram-se em baixa. A piora do câmbio acabou não afetando a curva, na medida em que as perdas do real foram consideradas modestas comparadas às demais divisas emergentes. Além disso, há avaliação de que o patamar do dólar ainda é bem comportado, com repasse aos preços limitado pela fraqueza da economia.

Sobre o exterior, a avaliação é de que o tombo do petróleo pode reduzir ainda mais os preços dos combustíveis no Brasil e há também dúvidas sobre o crescimento das principais economias, o que demandaria uma política monetária menos restritiva. Nesta quinta, dados fracos da atividade da zona do euro decepcionaram, num ambiente já tenso na Europa em razão da falta de acordo do Brexit e as preocupações com a situação fiscal da Itália.

Internamente, o mercado está satisfeito com as indicações para o núcleo econômico do novo governo e, com isso, releva o imbróglio envolvendo nomes de alguns ministros, como o da Educação, assim como alguma dificuldade na articulação política com o Congresso. "As indicações mais controversas pesam menos para o mercado. Na área que interessa, os nomes têm agradado", disse o estrategista-chefe da CA Indosuez Brasil, Vladimir Caramaschi.

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