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ECONOMIA

Juros curtos fecham com viés de alta e longos, de lado, com inflação no radar

26 Abr 2019 - 18h52Por Denise Abarca

A sexta-feira, 26, foi de oscilação restrita dos juros futuros, refletindo o noticiário e agenda escassos após dias de fortes emoções com a tramitação da reforma da Previdência. As taxas curtas terminaram a sessão regular levemente pressionadas para cima, enquanto as longas fecharam de lado, a despeito da queda firme do dólar. A leve 'desinclinação' da curva é atribuída pelos profissionais à percepção de que a inflação mais pressionada está limitando o espaço para queda da Selic, mesmo em meio às revisões de PIB deste ano para baixo.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 passou de 6,531% para 6,555%. A do DI para janeiro de 2021 fechou em 7,11%, de 7,082%. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou em 8,24%, de 8,232%, e a do DI para janeiro de 2025 ficou estável em 8,77%. Com isso, as taxas ficaram praticamente nos mesmos patamares do fechamento da sexta-feira passada.

O IPCA-15 divulgado na quinta-feira ainda reverberou no mercado nesta sexta-feira, na falta de um vetor mais forte para conduzir os negócios. "Dado o comportamento das moedas no mundo, era para o pré estar melhor. Mas o IPCA-15, com headline elevado e apesar da abertura benigna, traz incômodo para a formação das apostas para o Copom no dia 8", disse o gestor de Renda Fixa da Absolute Investimentos, Mauricio Patini, para quem, no entanto esse raciocínio está equivocado. "O que temos de inflação agora são choques e já há arrefecimento nos preços de alimentos, como mostram os índices mais recentes da FGV", comentou. O IPCA-15 subiu 0,72%, a taxa mais elevada para meses de abril desde 2015. A mediana das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast era de 0,67%.

Outra contribuição desfavorável para a inflação vem da energia. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu que maio terá bandeira tarifária amarela, o que implicará custo adicional de R$ 1,00 para cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumido. De dezembro até abril, estava em vigor a bandeira verde, em que não há cobrança de taxa extra. A mudança, contudo, já era esperada pelos analistas.

No exterior, o crescimento do PIB dos Estados Unidos acima do esperado trouxe alta forte para o retorno dos Treasuries pela manhã, mas que não se sustentou, tendo sido absorvido sem impacto pela curva doméstica. A economia norte-americana cresceu 3,2% no primeiro trimestre em base anualizada, bem mais do que apontava a estimativa do mercado (+2,2%), mas indicou que os gastos de empresas e de consumo foram fracos. Perto das 17h, o yield da T-Note de dez anos estava em 2,501%, ante patamar de 2,53% na quinta.

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