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ECONOMIA

Juros caem pela 3ª sessão seguida com mobilização do Congresso para votações

22 Mai 2019 - 19h31Por Denise Abarca

A melhora na avaliação do cenário político continuou alimentando a redução de prêmios na curva de juros e as taxas fecharam em baixa pela terceira sessão seguida. A disposição do Congresso em destravar a pauta, com ritmo acelerado de votações das Medidas Provisórias (MP) que estão para expirar é lida como um sinal positivo de compromisso dos parlamentares com relação às reformas.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou a sessão regular em 6,850%, de 6,871% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 caiu de 8,052% para 8,01%. A taxa do DI para janeiro de 2025 terminou em 8,60%, de 8,632%.

No começo da tarde, as taxas chegaram a zerar a queda e, nas máximas, foram para os ajustes anteriores, num movimento pontual de realização de lucros, mas que não se sustentou, na medida em que a Câmara se mobilizava para votar a MP 870, da reforma administrativa, e sinais de que a MP das aéreas poderia ser votada ainda hoje no Senado. Nos últimos dias, chama a atenção a mobilização do Congresso para limpar a pauta, tida como atípica mas, ao mesmo tempo, "natural" diante dos receios de repercussões negativas nas manifestações agendadas para domingo.

Porém, na sessão estendida, a trajetória descendente dava sinais de cansaço, com as taxas nas máximas e viés de alta. Houve alguma cautela no momento em que chegavam sinais de alguma dificuldade na sessão da Câmara para a votação da MP 870, esperada para hoje após fechamento de acordo entre o Executivo e Legislativo. Os líderes do Centrão decidiram obstruir em reação ao pedido de votação nominal das emendas feito pelo PSL e outros partidos. "Há perspectiva de uma noite inteira de votação", justificou o trader da Sicredi Asset Getúlio Ost, destacando, porém, que o movimento era discreto e num ambiente de liquidez reduzida que normalmente marca as sessões estendidas.

João Mauricio Rosal, economista-chefe da Guide Investimentos, vê dois fatores principais conduzindo as taxas nos últimos dias. "Um mais forte que, é o político, pelo certo distensionamento das relações entre Congresso e Executivo, e outro no exterior. Desde o começo da semana há melhora para mercados emergentes em geral, sobretudo nas moedas, em especial desde ontem, num risk off que também ajuda os juros", disse.

Se o ritmo de trabalho do Congresso se mantiver nos próximos dias, é possível imaginar algum fôlego extra de recuo nas taxas, mas o fato é que, sobretudo na ponta longa, os prêmios recuaram bastante desde sexta-feira. No caso dos DI para janeiro de 2025 e janeiro de 2027, foram 25 e 26 pontos-base a menos, respectivamente.

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