ECONOMIA

Juro longo cai com exterior e Previdência; curto fica estável à espera do Copom

19 Mar 2019 - 19h20Por Denise Abarca

Os juros futuros de longo prazo terminaram a terça-feira, 19, em queda, alguns deles renovando pisos históricos, enquanto a ponta curta ficou estável, configurando um movimento de desinclinação da curva a termo. Mais uma vez, o otimismo sobre a tramitação da reforma da Previdência, embora o noticiário não tenha trazido grande novidade sobre o assunto, ajudou as taxas longas a fecharem, num dia positivo para boa parte dos ativos de economias emergentes. Já as curtas oscilaram de forma moderada, refletindo o compasso de espera pela reunião do Copom nesta quarta. Permanece o consenso de que a Selic será mantida em 6,50% - a maior expectativa é pelo comunicado e alguma possível sinalização sobre futuros cortes na Selic depois da recente safra de indicadores fracos da atividade.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,360%, de 6,355% no ajuste de segunda, e o DI para janeiro de 2021 encerrou com taxa de 6,90%, de 6,921% no ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2023 renovou sua mínima histórica ao fechar em 7,96%, de 8,002% no ajuste de segunda. O DI para janeiro de 2025 encerrou em 8,49%, também novo piso histórico, de 8,541% na segunda no ajuste.

O mercado está na expectativa sobre como será a primeira reunião de Roberto Campos Neto como presidente do Banco Central. Para alguns analistas, o comunicado não deve trazer novidades em relação ao anterior. Parte do mercado, porém, não descarta que o texto possa indicar redução do nível de assimetria do balanço de riscos para a inflação registrado no encontro anterior. "Há um debate sobre se o comunicado vai dar peso maior para a atividade e é isso o que o mercado vai olhar como sinalização, se a assimetria está menor. É um cenário bem plausível dada a abertura do hiato do produto", disse o trader de renda fixa do Banco Sicredi, Getúlio Ost.

Nos longos, o alívio vem da melhora da percepção sobre o risco fiscal após membros do Executivo terem elevado o esforço junto aos parlamentares para defender a reforma da Previdência. "Os recentes discursos, principalmente o de Paulo Guedes (ministro da Economia) e Onyx (ministro da Casa Civil), sinalizam que a articulação está sendo afinada", disse Ost.

Há, ainda, confiança de que a proposta para a aposentadoria dos militares, a ser apresentada quarta no Congresso, fique alinhada às convicções da equipe econômica, de forma a não prejudicar o potencial de economia de R$ 1,1 trilhão estimado na Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Outro fator que ajudou a ponta longa foi o exterior, onde o movimento de "risk on" alimentou a queda do dólar ante a maioria das moedas e a venda de Treasuries.

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