Economia

Jaraguá do Sul se prepara para enfrentar perdas com novo imposto e tarifas dos EUA

Perdas podem afetar manutenção dos serviços do Município

31 Jul 2025 - 10h09Por Rogério Tallini
Perda pode representar até R$ 30 milhões a menos no orçamento anual da Prefeitura - Crédito: Divulgação/PMJSPerda pode representar até R$ 30 milhões a menos no orçamento anual da Prefeitura - Crédito: Divulgação/PMJS

Com a chegada do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá o ISS e o ICMS, e as novas tarifas impostas pelos EUA, a Secretaria da Fazenda de Jaraguá do Sul alerta para impactos significativos no orçamento municipal. Segundo o secretário Tiago Coelho Przywitowiski, a nova lógica de arrecadação — baseada no consumo, e não na produção — pode gerar perdas de até R$ 30 milhões por ano, afetando serviços públicos. A taxação de 50% sobre exportações brasileiras, especialmente prejudicando empresas como a WEG, também preocupa, podendo causar demissões e retração econômica local. Como resposta, a Secretaria iniciou a capacitação intensiva da equipe fiscal, investimentos em tecnologia e diálogo com grandes empresas da cidade. Além disso, serão reforçadas campanhas de educação fiscal e programas de regularização tributária. O objetivo é minimizar os impactos, manter o equilíbrio financeiro e garantir justiça na arrecadação.


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Impacto financeiro
Estudos preliminares apontam uma possível perda de até 7% da arrecadação proveniente de ICMS e ISS, cujo valor projetado para 2025 é de R$ 350 milhões. “A perda pode representar até R$ 30 milhões a menos no orçamento anual da Prefeitura. E afeta diretamente a capacidade do município de manter e expandir serviços essenciais. Por isso, é urgente reagir de forma estratégica, planejada e justa”, afirmou.

Tarifas dos EUA
Já a taxação de 50% sobre os produtos brasileiros pelos EUA, também preocupa. De acordo com o Secretário, em 2024, Jaraguá do Sul exportou mais de US$1 bilhão, sendo 25% deste valor, para os EUA. Só a empresa WEG responde por 90% desse valor. “Empresas podem diminuir empregos ou demitir. Além disso, há risco de efeito cascata, afetando prestadores de serviços locais e ampliando os prejuízos em toda a cadeia econômica da cidade.”

Capacitação e tecnologia
Uma das principais medidas adotadas é a capacitação intensiva dos fiscais. O secretário destacou que a equipe precisa estar preparada para lidar com o novo tributo (IBS) e, ao mesmo tempo, fortalecer a arrecadação dos tributos que continuarão sob responsabilidade municipal. “Agora não é mais uma questão de querer fazer, é de ter que fazer. Precisamos dominar o IBS, revisar a planta genérica de valores do IPTU e regulamentar o ITBI”, reforçou.

Tiago pontuou a importância de investir em tecnologia, como o uso de Inteligência Artificial (IA), cruzamento de dados, georreferenciamento e integração ao ambiente nacional da Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e). “Essas ferramentas são fundamentais para atualizar cadastros econômicos e imobiliários e ampliar a base de contribuintes, especialmente durante o período de transição de 2025 a 2033, cujos resultados influenciarão a arrecadação municipal até 2077”, acrescentou.

Negociação e campanhas
Outro eixo de ação abordado na reunião foi o contato direto com as principais empresas do município. Segundo o Secretário, cerca de 60 empresas representam quase 80% do valor adicionado fiscal de Jaraguá. “Estamos visitando essas empresas, entendendo seus projetos, analisando a possibilidade de retorno de investimentos e criação de novos polos industriais. O objetivo é manter a atividade econômica local aquecida e fortalecer nossa base tributária”, explicou.

A Secretaria da Fazenda também planeja ampliar campanhas de educação fiscal e avaliar novos programas de regularização e transação tributária. “Precisamos garantir a sustentabilidade fiscal do município sem aumentar tributos, apenas garantindo justiça tributária e cobrando de quem realmente deve”, completou.

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