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ECONOMIA

Guedes: 'Estamos indo para um caminho da prosperidade, não indo para Venezuela'

08 Mai 2019 - 18h15Por Idiana Tomazelli, Lorenna Rodrigues e Camila Turtelli

No primeiro momento de tensão durante a audiência pública sobre a reforma da Previdência, o ministro da Economia, Paulo Guedes, provocou a oposição ao dizer que, ao aprovar a proposta, o Brasil irá para um caminho de prosperidade, e, não, para a mesma rota trilhada pela Venezuela.

Guedes havia sido questionado pela deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) sobre o corte de recursos nas universidades, sobre o nível de desemprego e também sobre o ritmo lento da economia brasileira.

"Quem fica 16 anos no poder não tem o direito de virar agora, com quatro ou cinco meses, e dizer que há milhões e desempregados, falta de crescimento", rebateu o ministro. Ele citou ainda os rombos na Petrobras, nos Correios e nos fundos de pensão dessas estatais. "Quebraram mesmo muita coisa", exclamou.

A resposta veio acompanhada da indireta aos parlamentares cujos partidos apoiam o regime atual da Venezuela.

Opositores reagiram e um burburinho se formou no plenário da comissão. Guedes tentou então dizer que não estava falando do ponto de vista político, mas, sim, econômico. O ministro chegou a elevar a voz, e sob o risco de um bate-boca maior, o presidente da comissão, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), interveio.

"Temos o ambiente político necessário para enfrentar projeto de País. Peço gentilmente ao ministro que possa se resumir às questões previdenciárias. Quanto mais o ministro se concentrar em debater Previdência, mais ajuda. Queremos manter momento de tranquilidade", disse Ramos. "Está feita a recomendação."

Guedes disse então que concordava com a posição do presidente da comissão, mas chegou a continuar o debate fora do microfone com um deputado oposicionista. Ramos, por sua vez, deixou uma última mensagem. "A sociedade não está esperando avaliação desse governo ou do governo passado, mas, sim, debater Previdência", avisou.

Antes de o clima esquentar no plenário, Guedes afirmou que o contingenciamento nos recursos do governo ocorre justamente porque o governo está sem capacidade fiscal de gasto. Ele defendeu que, com a reforma, o governo pretende rever a trajetória futura das despesas. "Estamos recalibrando privilégios lá para frente para não gastar esse R$ 1 trilhão (economia pretendida com a reforma) e poder atender a outras finalidades", disse.

Guedes ainda defendeu o regime de capitalização, segundo o qual os trabalhadores contribuirão para contas individuais de aposentadoria. "Estamos levando recursos para futuro", afirmou.

"O recursos virão. Como o próprio Chile está fazendo agora, tributando as empresas, basta aumentar um pouquinho os impostos e pode garantir aposentadorias maiores. Hoje nós (Brasil) não conseguimos garantir nem as menores", disse o ministro.

Ele lembrou ainda que os mais pobres contribuem menos e já se aposentam mais tarde. "Não terão nenhum custo adicional (com a reforma)", afirmou.

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