ECONOMIA
Governadores 'não têm voto nem pedem voto' para aprovar reforma, diz líder do PP
Uma das estratégias do governo Bolsonaro para aprovar a reforma da Previdência, a liberação de recursos do pré-sal para os Estados, não deve se provar efetiva na busca por votos para a reforma, avalia o líder do PP na Câmara, o deputado Arthur Lira (AL). "O governo erra ao distribuir dinheiro do pré-sal diretamente aos governadores", disse.
Segundo ele, "governadores não têm voto nem pedem voto".
"A reforma da Previdência é muito melhor aceita em São Paulo, no Rio e no Sul. Nas outras regiões, eu diria que 80% são contra a reforma", declarou o parlamentar, em entrevista à Rádio Eldorado.
O déficit previdenciário dos Estados, disse Lira, não deveria ser debatido em âmbito federal. "Na minha opinião, tudo pertinente a Estados e municípios tem que ser enviado às respectivas assembleias e aí os governadores têm que se envolver", apontou o deputado alagoano.
Comissão especial
Apesar da aprovação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara ter sido aprovada com 48 votos a favor e 18 contrários, esta proporção não reflete o grau de aceitação da proposta no plenário da Câmara, avalia o líder do PP na Câmara.
"É preciso ter cuidado ao analisar as votações nas comissões", disse ele. "As comissões têm maioria artificial. No meu partido, a maioria não é a favor da reforma", comentou. "No meio de 40 deputados do meu partido, coloquei três na Comissão que são a favor da reforma para facilitar a tramitação, mas chegando no plenário, a conversa é outra", afirmou.
Gabinete
O "gabinete de inteligência" criado pelo governo, que deve funcionar a partir da terça-feira, 7, para oferecer esclarecimentos e tentar angariar mais votos a favor da reforma foi criticado por Lira. "O governo erra ao criar este gabinete. É como se estivesse tratando os deputados como neófitos, amadores que não entendem o que se trata", declarou o líder do PP.
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