ECONOMIA

Externo e interno desfavoráveis impedem Ibovespa de subir

28 Fev 2019 - 12h22Por Maria Regina Silva

O noticiário internacional e o interno impede ganhos do Ibovespa na manhã desta quinta-feira, 28. Temores relacionados a questões geopolíticas e ao crescimento econômico continuam no foco das atenções, em meio a eventos e a uma agenda pesados. Após abrir com discreta alta, migrou para o terreno negativo, perdendo a marca dos 97 mil pontos. Às 11h10, o Ibovespa caia 0,58%, aos 96.747,26 pontos, após ceder 0,30%, aos 97.307,31 pontos, ontem.

O resultado do balanço da Petrobras, que saiu de prejuízo para lucro no quarto trimestre, tenta dar algum alento, mas é insuficiente. Os investidores ainda aguardam detalhes da reunião sobre a cessão onerosa.

Lá fora, o petróleo tenta se firmar em leve alta, os índices futuros das bolsas americanas e o mercado de ações na Europa, cedem, embora tenham diminuído o ritmo de recuo. "O dia não promete ser muito bom para o Ibovespa", diz um operador.

O economista Silvio Campos Neto, sócio da Tendências Consultoria Integrada, reforça que nesta quinta o dia não sugere ser muito positivo para emergentes, e que ainda não há uma dinâmica definida. Ele cita algumas questões que podem atrapalhar o Ibovespa.

"Tem o encontro inconclusivo de Trump Donald Trump, presidente dos EUA, incerteza comercial China/EUA que pode não ter alguma definição no curto prazo, dado fraco da economia chinesa. Ou seja, nada muito animador para emergentes", avalia Campos Neto.

Na madrugada desta quinta, o presidente Donald Trump e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, encerraram sua reunião de cúpula no Vietnã antes do previsto e não conseguiram fechar um acordo para a desnuclearização da Península Coreana. Com menos possibilidade de afetar os negócios, tem ainda o aumento das disputas entre Índia e Paquistão.

Na China, um indicador do setor industrial de fevereiro ficou abaixo do esperado, reforçando a percepção de desaquecimento.

Aliás, essa palavra tem incomodado não somente as grandes economias mas também os emergentes, caso do Brasil. Nesta quinta, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% em 2018, repetindo a variação de 2017. O número ficou igual ao piso das expectativas na pesquisa do Projeções Broadcast, mas muito aquém do previsto no início do ano passado.

"São neutros, os dados vieram mais ou menos como o esperado", pondera Campos Neto.

Mais tarde, serão divulgados dados do mercado formal de trabalho do Brasil de janeiro, que tendem a reforçar a desaceleração da economia, conforme analistas. Além disso, o tema reforma da Previdência continuará no radar dos investidores.

Um operador de renda variável lembra que o mercado ficará atento ainda à primeira reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de 2019, que deve tratar da cessão onerosa. Em meio ao debate sobre a reforma da Previdência, chama a atenção a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Conforme o operador, especula-se que o leilão do excedente do pré-sal pode ser usado para abocanhar votos para aprovação da reforma com os Estados. "É uma briga muito grande", diz.

Premix Concreto

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