Coronavírus

É preciso pensar em novos clientes, oportunidades e mercados, avaliam especialistas em comércio exterior

30 Abr 2020 - 09h39Por Da Redação
Tema foi debatido em live, no YouTube da FIESC - Crédito: Filipe ScottiTema foi debatido em live, no YouTube da FIESC - Crédito: Filipe Scotti

A saída para as empresas é pensar em novos clientes, oportunidades e mercados, disse o diretor de desenvolvimento industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Abijaodi, durante live, no YouTube da FIESC, nesta terça-feira (28), que debateu o comércio exterior pós coronavírus. “Temos que analisar o ambiente doméstico e o que vai acontecer. Talvez vamos ter empresas e consumidores fragilizados. O que mostra que a nossa produção não será absorvida pelo mercado interno. Uma das soluções que a gente vê é buscar no mercado internacional onde tem uma amplitude maior, nichos e onde já temos compradores tradicionais”, afirmou. O evento foi promovido pela Câmara de Comércio Exterior da FIESC.

Abijaodi acredita que há uma tendência muito forte para interromper o modelo atual de cadeia produtiva, com um só produtor dominando a fabricação de determinado componente ou produto. “Isso deu um alerta em todo o mundo. E os avisos que estamos vendo é que há necessidade de ter uma variedade maior de fabricantes. E o Brasil pode ser uma opção. Temos condições, recursos naturais, mão de obra, espaço e empresas. Mas para isso é preciso retomar as reformas. Isso vai dar um simbolismo que todo o mercado financeiro precisa, que é mostrar que estamos fazendo o dever de casa e não abandonamos a nossa responsabilidade”, ressalta ele.

O diretor da CNI lembra que após a pandemia, o ambiente será bastante competitivo e, talvez, até agressivo. “Vamos ter um mercado amplo, mas também debilitado. Já tínhamos sentido uma redução do comércio internacional. Com mais esse problema da pandemia, vamos sentir uma diminuição maior da capacidade de vendas. Mas a luta é de todos. Então vamos entrar nessa competição de uma forma bastante profissional”, declarou.

O presidente da FIESC, Mario Cezar de Aguiar, observou que Santa Catarina tem uma corrente de comércio internacional importante. “E, para nós, internacionalização é ponto fundamental. Essa pandemia vai provocar e está provocando uma mudança de comportamento muito forte na sociedade brasileira e mundial. Essas mudanças vão exigir em todos os setores adaptações muitos fortes. Acredito que aquela empresa ou atividade que se adaptar mais rapidamente, entendendo qual é o comportamento da sociedade, terá muito mais rapidez e chance de sair fortalecida da crise. As adversidades nos obrigam a encontrar soluções mais rápidas e profundas”, avalia. Ele lembrou que Santa Catarina, até o início da pandemia, era o estado que tinha a menor taxa de desemprego. “E existem razões para isso: uma delas, seguramente, é que temos uma indústria diversificada, com uma população empreendedora. Além disso, a indústria responde por 34% dos empregos formais do estado”, completou.

Mercosul: outro assunto debatido na live foi a situação do Mercosul. De um lado, o governo brasileiro sinalizou no final de 2019 que poderia sair do bloco. De outro, a Argentina anunciou, recentemente, no dia 24 de abril, a suspensão do país em novas negociações de acordos no bloco econômico. Essas medidas preocupam a indústria de Santa Catarina, que tem longa relação comercial com o país vizinho. No ano passado, a Argentina foi o quarto principal destino das exportações catarinenses.

“O Brasil deixar o Mercosul, por exemplo, significaria o fim do acordo Mercosul-União Europeia. É um acordo que a gente lutou tanto para ter. Tem também 3,7 mil normas que deixariam de estar em vigor e outros acordos de cooperação que têm impactos na vida das pessoas, como extradições, viagens, contratos e, eventualmente, até o fim do visto que está regulamentado no âmbito do Mercosul. Então isso tem impacto econômico e social”, analisa o gerente de negociações internacionais da CNI, Fabrizio Sardelli Panzini. Durante a transmissão, ele apresentou um panorama das principais negociações internacionais que envolvem o Mercosul.

“A apresentação mostrou claramente que temos um árduo e difícil caminho se efetivamente o governo brasileiro caminhar nessa direção. Argentina, Uruguai e Paraguai são países vizinhos e interessa para nós manter uma relação harmônica e equilibrada, principalmente do ponto de vista do comércio”, disse a presidente da Câmara de Comércio Exterior da FIESC, Maria Teresa Bustamante, lembrando que tem empresas do estado com investimentos nos países vizinhos. “Quem me conhece sabe que tenho sido uma defensora intransigente da manutenção do Mercosul”, afirmou.

 

 

 

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