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ECONOMIA

Dólar começa maio em alta e termina dia em R$ 3,9596

02 Mai 2019 - 19h13Por Altamiro Silva Junior

O dólar começou o mês de maio em alta. O real foi nesta quinta-feira, 2, uma das moedas que mais perderam valor ante a divisa americana, com o mercado local repercutindo a reunião de quarta-feira do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). O presidente da instituição, Jerome Powell, sinalizou que não há corte de juros no radar e frustrou investidores no mercado financeiro mundial. As mesas de operação monitoraram ainda os desdobramentos da reforma da Previdência, mas o assunto só deve ganhar força na semana que vem, quando começam os trabalhos da comissão especial que vai analisar as medidas que alteram as aposentadorias. O dólar à vista terminou o dia em alta de 0,98%, a R$ 3,9596.

Sem maiores novidades, causaram certo desconforto as declarações de quarta do deputado Paulo Pereira da Silva (SD), o Paulinho da Força. Ele afirmou que os partidos que compõem o Centrão devem conversar para aprovar uma reforma mais desidratada, que não garanta a reeleição do presidente Jair Bolsonaro. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, rebateu e disse que vai trabalhar para economia fiscal de R$ 1 trilhão, como quer o governo. Pela manhã, o dólar chegou a superar os R$ 3,97 e, na parte da tarde, desacelerou o ritmo de alta e operou a maior parte do tempo na casa dos R$ 3,95.

Pesquisa do banco americano Citi com clientes aponta que cresceu a visão entre os agentes de que a economia fiscal da reforma deve ficar entre R$ 500 bilhões a R$ 750 bilhões. Além disso, a expectativa é de aprovação na Câmara apenas no terceiro trimestre ou mesmo mais tarde, aponta relatório do banco nesta quinta-feira.

Para a economista e estrategista de câmbio da Ourinvest, Fernanda Consorte, se o momento estivesse mais favorável para a Previdência, o impacto da reunião do Fed poderia ser menor. A tramitação das medidas no Congresso tem causado mais tensão do que o inicialmente esperado, porque o governo tem mostrado falta de articulação política, disse ela. Por isso o dólar tem se mantido acima do nível de R$ 3,90, com os investidores precificando uma aprovação mais difícil e com menor economia fiscal da Previdência. No caso desta quinta-feira, ela avalia que o fator principal a influenciar o câmbio foi o Fed.

Com o Fed mais "hawkish" do que o esperado, ou seja, menos defensor de juros baixos, o dólar seguiu em alta ante divisas fortes e de emergentes. "As declarações de Powell na entrevista foram contra a ideia de que o Fed estaria contemplando um 'corte preventivo' nos juros para estimular a inflação", avalia o economista do JPMorgan, Michael Feroli, em relatório. Para ele, este ponto ficou evidente quando o dirigente ressaltou que a inflação está fraca nos EUA por conta de fatores "transitórios".

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