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Cautela com Previdência volta ao mercado e Ibovespa fecha em queda de 0,92%

24 Abr 2019 - 19h08Por Paula Dias

Um dia depois da aprovação da reforma da Previdência na CCJ da Câmara, a cautela voltou a dar o tom dos negócios com ações na B3. O Índice Bovespa oscilou em terreno negativo desde a abertura e encerrou o pregão desta quarta-feira, 24, em queda de 0,92%, aos 95.045,43 pontos. Voltaram a pesar entre os investidores os temores de que a tramitação da reforma se estenda por mais tempo que o previsto e que a desidratação da proposta inicial seja maior que o esperado. Nesse ambiente, os dados de piora no mercado de trabalho e de baixa popularidade do governo Bolsonaro reforçaram o clima de prudência no mercado.

Apesar do desconforto com questões domésticas, analistas e operadores ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, atribuíram a queda a um movimento de realização de lucros recentes, uma vez que as operações na bolsa estão concentradas essencialmente em negócios de curtíssimo prazo.

"A expectativa era de que a reforma passasse mais rápido pela CCJ e sem mudanças. E como a comissão especial provavelmente será instalada na semana seguinte à do feriado de 1º de Maio, o investidor preferiu realizar lucros. Isso porque, nesse hiato de quase duas semanas, há risco de que surjam novos ruídos no cenário político", disse Vitor Miziara, analista da Criteria Investimentos.

Após a votação da admissibilidade da matéria na CCJ, o próximo passo é a formação da Comissão Especial que vai analisar a proposta na Câmara. O colegiado será composto por 34 membros e 34 suplentes. A líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), disse que o ideal seria instalar a comissão ainda nesta semana na Câmara, mas ponderou que isso depende da indicação dos membros do colegiado por parte dos líderes partidários.

Na avaliação de um operador que não quis se identificar, as notícias de corte de 43.196 vagas mostrado mais cedo pelo Caged e a pesquisa do Ibope mostrando 35% de avaliação positiva do governo Jair Bolsonaro aumentaram a preocupação com a reforma. "O governo está sem apoio popular e sem uma base sólida no Congresso, o que não é bom. O temor é que o Centrão ganhe espaço e imponha uma reforma menor, com R$ 500 bilhões ou R$ 600 bilhões de impacto fiscal", afirmou.

Na análise por ações, um dos principais destaques do dia foi Vale ON, que teve perda de 3,00%. Além de refletir a piora do humor do investidor, o papel sofreu influência da queda de mais de 1% dos preços do minério de ferro no mercado à vista chinês. As ações mais sensíveis ao risco político também tiveram perdas superiores à média do mercado. Banco do Brasil ON terminou o pregão em queda de 2,03% e Eletrobras ON perdeu 4,01%.

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