ECONOMIA

Bolsas de NY fecham em forte queda com investidor aflito com possível recessão

22 Mar 2019 - 19h42Por Gabriel Wainer

As bolsas de Nova York fecharam com expressivas quedas nesta sexta-feira, 22, motivadas pela crescente preocupação dos investidores com o cenário de desaceleração global após a divulgação do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial nos Estados Unidos e o achatamento da curva de rendimentos dos Treasuries americanos.

Na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse), o índice Dow Jones fechou em queda de 1,77%, aos 25.502,32 pontos, o S&P 500 caiu 1,90%, aos 2.800,71 pontos, e o Nasdaq apresentou a queda mais acentuada, de 2,50% aos 7.642,67 pontos. Na comparação semanal, Dow Jones caiu 1,13%, S&P caiu 0,53% e Nasdaq caiu 0,18%.

O índice VIX, considerado o "medidor de medo" de Wall Street, terminou o pregão com salto de 20,91%, a 16,48 pontos, depois de ter atingido ganho de mais de 28% na máxima do dia, mas ainda abaixo da marca dos 20 pontos, o que, para analistas do UBS, ainda indica um ambiente positivo para os negócios.

A inversão de parte da curva de rendimentos dos Treasuries gerou novos temores sobre uma possível recessão nos Estados Unidos. O spread entre a T-bill de três anos e a T-note de dez anos (referência usada pelo Federal Reserve, Fed, o banco central americano) se tornou negativo pela primeira vez desde 2007, ano anterior à grave crise econômica de 2008.

Tom Garretson, estrategista de renda fixa da RBC Wealth Management, afirma que "não podemos ignorar o risco crescente da recessão, mas por enquanto isso é motivado em grande parte pelas preocupações com o crescimento global. Se a economia mundial pegar um resfriado, não estaremos imunes".

O presidente da distrital de St. Louis do Fed, James Bullard, no entanto, minimizou as preocupações do mercado em entrevista ao Wall Street Journal. O dirigente disse que a inversão da curva de juros foi "ligeiramente preocupante", mas que ele continua otimista em relação ao crescimento econômico dos EUA.

Na esteira dos indicadores preocupantes, os dados da produção industrial dos EUA, do Japão e da Alemanha contribuíram ainda mais para ampliação das perdas e para o aprofundamento das preocupações com a economia global. O PMI industrial alemão, assim como o japonês, mostrou contração. Nos EUA, o resultado tocou o menor nível em 21 meses. O subíndice do setor de materiais do S&P 500 foi o campeão das perdas, caindo 2,99%.

Entre as ações que mais se destacaram, as instituições financeiras, afetadas pelo achatamento da curva e pelo tom mais "dovish" do que o esperado na mais recente reunião de política monetária do Fed. O Citi liderou as perdas do setor, caindo 4,15%, seguido pelo Bank of America (BofA), que perdeu 4,58%. Neste sentido, o subíndice do setor financeiro ficou em segundo lugar nas maiores perdas do dia, em queda de 2,77%.

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