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ECONOMIA

Bolsas de NY fecham em baixa, monitorando desaquecimento da economia global

14 Nov 2018 - 19h05Por Victor Rezende

Os mercados acionários americanos encerraram o pregão desta quarta-feira, 14, em baixa, em um ambiente no qual continuou a predominar a volatilidade, e no qual os agentes monitoraram dados de inflação nos Estados Unidos, enquanto indicadores econômicos continuaram a mostrar fraqueza em importantes economias, como a da Alemanha e a do Japão. Além disso, o panorama para o Brexit também foi acompanhado de perto, após a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, conseguir suporte de seu gabinete para o projeto preliminar de acordo com a União Europeia para a saída britânica do bloco.

O índice Dow Jones encerrou a sessão em baixa de 0,81%, aos 25.080,50 pontos; o S&P 500 recuou 0,76%, aos 2.701,58 pontos; e o Nasdaq teve queda de 0,90%, aos 7.136,39 pontos. Já o índice de volatilidade da CBOE, o VIX, fechou em alta de 6,04%, cotado a 21,21 pontos.

A desaceleração do crescimento econômico global voltou a atingir as bolsas nova-iorquinas. As economias do Japão e da Alemanha enfrentaram contrações no período entre julho e setembro na comparação com os três meses imediatamente anteriores, acendendo novo alerta para o desaquecimento econômico em países importantes. De acordo com o Ministério de Finanças do Japão, a economia do país recuou 0,3% entre julho e setembro ante os três meses anteriores, enquanto a economia alemã mostrou contração de 0,2% no terceiro trimestre em relação ao período entre abril e junho, informou a Destatis.

"Em agosto, escrevi que a atividade mundial iria desacelerar nos 12 meses seguintes. Os dados de outubro confirmam que essa tendência já começou, como a deterioração do crédito e das encomendas manufatureiras nas principais economias", afirmou, em seu perfil no Twitter, o economista-chefe da Santander Asset Management, Eduardo Yuki. Com a volatilidade em alta em solo nova-iorquino, as bolsas americanas até tentaram mostrar avanço no início do pregão, após o núcleo do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA mostrar avanço anual de 2,1% em outubro, abaixo da mediana das projeções coletadas pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que apontavam alta de 2,2%. No entanto, ao longo do dia, as bolsas renovaram sucessivas mínimas, com os três principais índices chegando a cair mais de 1% em alguns momentos.

Em reportagem especial publicada no Broadcast, analistas apontam para o risco de que os mercados acionários americanos estejam antecipando uma contração na economia dos EUA. "Setores sensíveis a juros mais elevados, como o de serviços básicos e o imobiliário, já estão sofrendo. A questão que fica é se esta não é somente uma correção. E se o mercado de ações está cheirando, corretamente, uma recessão pela frente? Afinal, a história mostra que todo bear market em Nova York tem início quando os investidores percebem uma recessão à frente em três a 13 meses", afirmou o chefe de pesquisa econômica global do Bank of America Merrill Lynch, Ethan Harris.

Mesmo com as elevações de juros do Fed pela frente, os bancos foram os primeiros a sentirem o baque. A ação do Goldman Sachs não conseguiu mostrar recuperação e voltou a fechar em baixa, com queda de 1,25%, e levou junto papéis de outras instituições financeiras, como Citigroup (-1,98%) e Morgan Stanley (-1,86%). Investidores também se atentaram à sabatina do diretor do Fed Randal Quarles na Câmara dos Representantes dos EUA e intensificaram a venda de papéis de bancos após a deputada democrata Maxine Waters defender uma regulação mais dura sobre essas instituições, em um cenário que, no próximo ano, contará com maioria democrata na Câmara dos Representantes.

No setor de tecnologia, a Apple viu suas ações encerrarem o dia em queda de 2,82% e flertarem com o bear market. Depois de JPMorgan, UBS e Goldman Sachs, foi a vez da Guggenheim cortar a recomendação da empresa de "compra" para "neutro", ao dizer que a demanda mais fraca por iPhones não deve ser compensada pelos preços mais elevados dos produtos. Para a Guggenheim, embora a Apple tenha incentivado os investidores a se concentrarem em seus negócios de serviços, "ainda se trata de uma companhia de produtos".

A questão do Brexit também foi monitorada. Durante a tarde, Theresa May anunciou apoio de seu gabinete ao acordo preliminar alcançado entre os negociadores britânicos e da União Europeia. O principal fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) de ações britânicas em Nova York fechou em alta de 0,22%. Já os American Depositary Receipts (ADRs) de bancos britânicos mostraram queda: o do Barclays apagou parte das perdas, mas fechou em baixa de 1,64%, o recibo do Royal Bank of Scotland fechou em queda de 0,46% e o do Lloyds cedeu 1,63%.

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