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ECONOMIA

Bolsas de NY digerem relações EUA-China, 'shutdown' e dados e sobem mais de 1%

12 Fev 2019 - 20h52Por Victor Rezende

O cenário favorável ao risco voltou a se fazer presente em Wall Street. Os mercados acionários americanos, que já abriram em alta, renovaram sucessivas máximas durante a tarde desta terça-feira, 13, e fecharam em alta expressiva. O motivo estava na pauta desde o início do pregão: o otimismo dos agentes com as negociações comerciais sino-americanas e a redução da chance de uma nova paralisação da máquina pública federal nos Estados Unidos. Papéis de gigantes de tecnologia foram amplamente beneficiados pelo modelo "risk on" acionado pelos investidores, enquanto ações de bancos também foram procuradas pelos investidores em Nova York.

O índice eletrônico Nasdaq fechou em alta de 1,46%, cotado a 7.414,62 pontos. Já em Wall Street, o Dow Jones subiu 1,49%, para 25.425,78 pontos, enquanto o S&P 500 ganhou 1,29%, para 2.744,73 pontos, ultrapassando, pela primeira vez desde dezembro, a média móvel de 200 dias.

O noticiário se fez amplamente positivo para a busca por ativos considerados mais arriscados desde a madrugada, quando republicanos e democratas chegaram a um acordo orçamentário preliminar para evitar outro "shutdown". O presidente americano, Donald Trump, até poderia gerar cautela nos mercados após dizer que está "extremamente infeliz" com o pacto alcançado. No entanto, logo depois disso, Trump disse que irá estudar o acordo firmado no Capitólio e ressaltou que não deseja uma nova paralisação do governo. "Os mercados abominam a incerteza e, por isso, o acordo preliminar é uma notícia espetacular e que remove um dos maiores impedimentos ao crescimento econômico e à prosperidade dos EUA e melhores condições para o mercado financeiro", afirmou o economista Christopher Rupkey, do Mitsubishi UFJ Financial Group.

A economia pujante americana é uma das explicações para o momento robusto que vive o mercado de trabalho do país. O relatório Jolts, divulgado durante a tarde pelo Departamento do Trabalho, mostrou abertura recorde de 7,335 milhões de vagas de emprego em dezembro, acima da criação esperada pelo mercado, de 6,9 milhões de postos de trabalho. "O Jolts sugere que o forte ritmo de crescimento do emprego subjacente nos EUA continua", afirmaram economistas do Goldman Sachs em nota a clientes. A curva de Phillips plana, no entanto, acaba por minar as chances de maior pressão inflacionária. Segundo aponta a mediana de pesquisa do Projeções Broadcast, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) americano deve apresentar alta de 1,5% na comparação anual de janeiro, o que seria uma forte desaceleração em relação ao nível de 1,9% verificado em dezembro. A mediana do núcleo do indicador, por sua vez, ficou em 2,1%.

Esse cenário se soma à pausa do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) no processo de elevação das taxas de juros. À tarde, o presidente da instituição, Jerome Powell, até fez breves comentários sobre a economia dos EUA - em geral, positivos -, mas ficou calado quanto aos rumos da política monetária no país.

O otimismo geral com o Congresso americano também pode ser atribuído, principalmente, às negociações comerciais sino-americanas. Trump pontuou que pode estender o prazo de 1º de março da trégua comercial caso um acordo esteja iminente. "O rali de hoje indica que o mercado acha que há progresso nas conversas, mas, se não houve, haverá choques nas ações", afirmou o diretor de investimentos da Cougar Global Investments, Abe Sheikh. Assim, os ganhos se espalharam por todos os segmentos: do financeiro ao de tecnologia. Os papéis do Morgan Stanley subiram 2,34%, enquanto os do Wells Fargo ganharam 2,94%. Entre as techs, a Apple subiu 0,86% e a Netflix saltou 4,12%, enquanto o setor industrial viu as ações da Caterpillar com alta de 2,90% e as da Boeing com avanço de 1,68%.