ECONOMIA

Bancos do Nordeste e da Amazônia terão headhunter

16 Dez 2018 - 07h40Por Murilo Rodrigues Alves e Adriana Fernandes

Na esteira da Caixa, os bancos do Nordeste (BNB) e da Amazônia (Basa) também terão de adotar processos seletivos para a escolha dos seus diretores. Reduto político de lideranças partidárias, os dois bancos terão de rever a sua governança e contratar empresas de headhunter (especializadas na procura de executivos) para promover a troca de dirigentes.

A decisão foi aprovada pela equipe econômica do presidente Michel Temer e conta com o apoio do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, que tem como política traçada a modernização e a maior profissionalização dos bancos públicos. Guedes já avisou que pretende aprofundar as mudanças já feitas no estatuto da Caixa e dos dois bancos e fazer outras melhorias. Os dois bancos ficarão no guarda-chuva do novo Ministério da Economia.

Assim como ocorre na Caixa, a blindagem do BNB e do Basa com a criação das barreiras às indicações políticas para cargos de direção fazem parte da nova política que tenta corrigir problemas de gestão do banco. Algumas das medidas, principalmente as relacionadas aos apadrinhamentos nos cargos de direção, encontram resistência na classe política.

Esse ajuste envolve também uma política de apetite ao risco. A proposta prevê que um comitê independente indique as bases sobre o grau de risco a ser aceito pelo banco nas diversas operações de crédito. Essa política reforça a blindagem e mitiga os riscos de financiamentos concedidos por pressão política, além de promover ajustes estruturais nos bancos públicos.

Nova política

A aprovação de um novo estatuto e instituição de um plano de reforço de capital sem uso do dinheiro do FGTS na Caixa foram alvos de ataques dos partidos que loteavam as vice-presidências, superintendências regionais e diretorias do banco.

A reforma no estatuto da Caixa teve inspiração na Petrobrás, que também passou por um choque de gestão depois dos casos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato, com fraudes em licitações e desvio de bilhões de reais. Como na petroleira, o ajuste no banco começou pela forma de escolha dos dirigentes.

Os mandatos são de dois anos, podendo ter recondução de até três vezes e um mandato não coincidente com o do governo.

"O novo governo encontrará a governança do banco alinhada com as melhoras práticas e em total conformidade com a legislação, principalmente com a Lei da Estatais", afirmou o presidente do conselho de administração do Banco do Nordeste, Jeferson Luis Bittencourt. Segundo ele, desde setembro, o conselho de administração passou a ter competência para eleger toda a diretoria executiva com apoio de um comitê, com a maioria de membros independentes, que realizará processo seletivo para escolha dos diretores. O conselho também pode contratar uma empresa de consultoria, nos moldes do que já é feito na Caixa. O Basa não respondeu à reportagem. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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