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ECONOMIA

Baixa atividade econômica afeta indústria da construção, revela CNI

26 Abr 2019 - 14h15Por Sandra Manfrini

A indústria da construção continua enfrentando os problemas ocasionados pela baixa atividade econômica do Brasil. A Sondagem da Indústria da Construção, divulgada nesta sexta-feira, 26, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostra que o indicador de atividade atingiu 44,5 pontos em março, um acréscimo de apenas 0,2 ponto em relação a fevereiro. Numa escala que varia de 0 a 100, valores abaixo de 50 indicam queda no nível de atividade. "Assim, apesar da leve melhora, os indicadores ainda refletem dificuldade de recuperação", diz a CNI.

O índice de número de empregados aumentou 0,8 ponto na comparação com fevereiro, chegando a 43,7 pontos. Mas ainda está abaixo dos 50 pontos.

"A indústria da construção tem enfrentado problemas que são reflexo da baixa atividade econômica do Brasil. Com expectativas frustradas, os empresários se tornaram menos dispostos a assumir riscos, o que comprometeu os investimentos na indústria da construção", afirma Dea Fioravante, economista da CNI.

Esse fraco desempenho acabou reduzindo o apetite dos empresários do setor para investir nos próximos seis meses. A Sondagem mostra queda no indicador de intenção de investimento, que passou de 34,0 pontos em fevereiro para 32,8 pontos em março. Dentro da metodologia usada na pesquisa, numa escala que vai de 0 a 100, quanto menor o índice, menor é a disposição para investir.

A CNI destaca que o índice de investimento vem em queda desde janeiro, quando ele atingiu 38,0 pontos, o maior valor dos últimos quatro anos.

A Utilização da Capacidade Operacional (UCO) atingiu 57% em março, mesmo porcentual registrado há um ano e uma alta de um ponto porcentual em relação a fevereiro. Segundo a CNI, a permanência desse indicador no mesmo patamar de um ano atrás evidencia a estagnação da construção.

A entidade avalia ainda que a baixa utilização da capacidade operacional significa máquinas paradas e trabalhadores produzindo menos do que poderiam.

A Sondagem divide a indústria da construção em setores: construção e edifícios, obras de infraestrutura e serviços especializados. Dentre esses, o de obras de infraestrutura é o que apresenta o pior desempenho, tanto em nível de atividade esperada quando em ociosidade. "Como esse setor reúne grandes obras de longo prazo, com alto grau de empregabilidade, o fato de seu desempenho estar comprometido afeta de modo expressivo toda a indústria da construção", ressalta Dea Fioravante em nota divulgada pela CNI.

Com relação às condições financeiras, a pesquisa aponta que a satisfação, que havia melhorado, regrediu em março. O índice de situação financeira registrou 38,9 pontos no fechamento do primeiro trimestre. O indicador de satisfação com a margem de lucro operacional sofreu queda de 3,3 pontos, fechando o trimestre com 33,2 pontos. O indicador de facilidade de acesso ao crédito também caiu, atingindo 31,7 pontos no primeiro trimestre do ano. Em todos os casos, dentro da escala que varia de 0 a 100, valores abaixo de 50 indicam insatisfação.

Expectativas

A Sondagem revela também que os empresários da indústria da construção estão menos otimistas em relação aos próximos seis meses. Todos os índices de expectativas apresentaram queda e se aproximaram da linha divisória dos 50 pontos.

Os indicadores de expectativa de nível de atividade e novos empreendimentos e serviços caíram 2,5 e 2,9 pontos, atingindo 53,6 e 53,2 pontos, respectivamente.

As expectativas de compras de insumos e matérias-primas e do número de empregados tiveram queda de 2,1 e 2,4 pontos, registrando 52,4 e 52,1 pontos, respectivamente.

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