ECONOMIA

Aprovação da PEC do Orçamento amplia risco à Previdência e juro longo dispara

27 Mar 2019 - 19h27Por Denise Abarca

A aprovação relâmpago da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Orçamento, em votação consistente na terça-feira à noite na Câmara, continuou produzindo estresse na curva de juros ao longo da tarde, com forte avanço das taxas de juros, em especial as longas. A avaliação dos profissionais nas mesas de operação é de que o fato pode ter sido um divisor de águas na confiança do mercado na aprovação da reforma da Previdência ou, ao menos, de um texto que seja capaz de produzir equilíbrio nas contas fiscais. Embora as taxas tenham se distanciado das máximas no fechamento da sessão regular, na etapa estendida voltaram a renovar máximas, em movimento atribuído à reação à entrevista do presidente Jair Bolsonaro à TV Bandeirantes no fim da tarde.

O cenário externo também não ajudou, na medida em que a piora na inversão da curva dos Treasuries e o yield negativo pela primeira vez desde outubro de 2016 no leilão de Bunds de dez anos acentuaram os temores de recessão nos Estados Unidos e desaceleração da economia mundial.

Num processo de gestão de risco, os investidores reduziram significativamente suas posições vendidas em risco prefixado, o que catapultou o volume de contratos. No vencimento de janeiro de 2021, por exemplo, o giro superou 700 mil contratos. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou a etapa regular em 6,565%, de 6,465% ontem no ajuste, e a taxa do DI para janeiro de 2021 subiu de 7,092% para 7,27%. A taxa do DI para janeiro de 2023 terminou em 8,47%, de 8,242% no ajuste anterior, e a do DI para janeiro de 2025 avançou de 8,832% para 9,05%.

Na etapa estendida, estas taxas marcavam às 17h48, 6,635%; 7,39%; 8,59% e 9,15% - as últimas quatro nas máximas. Segundo profissionais, Bolsonaro reforçou a postura de confronto com o Poder Legislativo, um dia depois da aprovação da PEC na Câmara ter sido considerada uma derrota para o Executivo. Segundo um gestor, chamou a atenção na entrevista as críticas de Bolsonaro ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e os relatos de deputados que ficam lhe pedindo cargos.

"Maia está abalado com questões pessoais que estão acontecendo na vida dele. Não quero entrar em detalhes. Questões pessoais que passam pelo estado emocional dele no momento", disse à TV Bandeirantes. Segundo Bolsonaro, Maia foi infeliz ao criticar o ministro Sergio Moro, dizendo que o juiz era "funcionário" do presidente. Bolsonaro afirmou ainda que não pediu para seus aliados trabalharem ou votarem contra a PEC do Orçamento impositivo. Em relação à interlocução com o Congresso, o presidente disse que parlamentares querem ser recebidos por ele, mas que não consegue receber todos, o que atrapalha o "entendimento".

Sobre a PEC do Orçamento, que estava "adormecida" desde 2015, o texto foi aprovado em dois turnos em poucas horas e com mais de 400 votos em cada um, o que, na visão de analistas, demonstrou o grande poder de fogo de Maia, que nas últimas semanas vem em rota de atrito com o Executivo. "A crise política entre os Poderes, que parecia encaminhada para uma pacificação, se mostra viva, enquanto segue causando estragos e ameaçando a reforma da Previdência.", disseram os analistas da Guide, em relatório.

Premix Concreto

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