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ECONOMIA

Aprovação da compra da XP por Itaú pelo Cade foi infeliz, diz Gustavo Franco

13 Nov 2018 - 12h24Por Lorenna Rodrigues

Sócio da Rio Bravo Investimento e ex-presidente do Banco Central, o economista Gustavo Franco criticou nesta terça-feira a aprovação da compra da XP pelo Itaú pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pelo Banco Central e disse que a decisão do BC teve que corrigir aquela tomada pelo Cade.

O conselho aprovou a operação, mas o BC determinou que o Itaú não poderia comprar o controle da XP no futuro, como estava previsto em contrato. "Foi um momento extremamente infeliz. Acho até que o Banco Central teve que corrigir e adequar a decisão do Cade para que ela não fosse pior. É uma pena que tenha sido assim, na próxima vez vamos tentar acertar", afirmou. Franco participou de audiência pública no Cade para discutir a estrutura do setor financeiro nacional e o impacto sobre a concorrência.

Franco disse ainda que o conselho "certamente tem o problema de influências políticas". "É preciso estar atento a isso, não vamos ignorar", afirmou.

Segundo ele, a concentração bancária no Brasil é muito grande e existe um problema de integração vertical no setor (quando o mesmo grupo detém várias empresas na mesma cadeia). Franco disse que o País tem apenas cinco grandes bancos e que os dois estatais - em uma referência ao Banco do Brasil e à Caixa - não conseguem concorrer porque têm custos superiores aos privados.

Por outro lado, as instituições privadas, segundo ele, têm taxas de retorno muito elevadas. "Seja porque tem competidor café com leite ou remuneração excessiva, a concentração do setor bancário é muito grande", afirmou. Ele lembrou ainda que os clientes reclamam dos serviços bancários e disse que o sistema financeiro tem plataformas fechadas, com consumidores presos às instituições por falta de opção.

Concentração

Representando o Santander na audiência, o economista e ex-presidente do Cade Gesner Oliveira rebateu o argumento de que o setor bancário é muito concentrado e disse que, na comparação com outros países e setores, ele não se sustenta. "O mercado financeiro brasileiro não é extremamente concentrado. Não há nenhuma anomalia em relação ao cenário internacional", afirmou.

Oliveira disse ainda que é "mitologia" dizer que as taxas de juros são altas porque o mercado é concentrado. Ele atribuiu isso a outros fatores, como o déficit público alto no Brasil.

O vice-presidente da empresa de serviços financeiros dos Estados Unidos First Data, Juan Ignácio de La Torre, afirmou que no mercado norte-americano não há participação de emissores como donos de arranjos de pagamento, como ocorre no Brasil, e que essa é uma barreira para novos entrantes.

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