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ECONOMIA

Apesar de aversão a risco, juros fecham de lado com pessimismo sobre atividade

06 Mai 2019 - 18h52Por Denise Abarca

A aversão ao risco que pautou os mercados globais nesta segunda-feira, 6, teve efeito muito limitado no segmento de juros, mais visível na primeira parte dos negócios. Ainda pela manhã as taxas zeraram a alta e passaram a oscilar perto da estabilidade, com viés de queda na ponta curta. O impacto do anúncio do governo norte-americano de que elevará as tarifas para produtos chineses foi blindado pela percepção de que a atividade fraca pode reabrir um movimento de queda na Selic se a reforma da Previdência avançar.

As taxas de curto prazo encerraram a sessão regular nas mínimas. A do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,440%, de 6,470% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2021 fechou em 7,04%, de 7,062%. A taxa do DI para janeiro de 2023 ficou estável, em 8,15%. O DI para janeiro de 2025 encerrou com taxa de 8,67%, ante 8,682% no último ajuste.

"Tivemos um dia morno para os juros. O impacto da questão da China e Estados Únicos que se vê no câmbio e na bolsa não se reflete nos DIs", afirmou o trader de renda fixa da Quantitas Asset Matheus Gallina. "Pesam nos juros mais as questões locais, pois a atividade fraca faz com que um possível novo ciclo de queda da Selic aconteça."

Hoje a pesquisa Focus trouxe recuo na mediana das estimativas para o PIB em 2019 para baixo de 1,50%, ao passar de 1,70% para 1,49%. Ao mesmo tempo, a mediana para o IPCA subiu, marginalmente, de 4,01% para 4,04%. Nesse contexto, a curva de juros ainda não precifica recuo da taxa básica nem para a decisão do Copom na quarta-feira, nem para o fim do ano, e sim estabilidade para ambos os horizontes.

Para Gallina, da Quantitas, menções à questão da atividade até podem aparecer no comunicado do Copom, mas não devem alterar o balanço de riscos do BC para a inflação, que, na reunião anterior, estava simétrico. "Isso não deve provocar uma mudança para assimetria porque geraria uma percepção errada no mercado, forçaria uma precificação de um ciclo queda da Selic, que, sem reforma da Previdência, é praticamente inviável", afirmou. Para pavimentar esse caminho, diz ele, a proposta não precisa necessariamente estar aprovada, mas já bem encaminhada no Congresso.

Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, a evolução da reforma da Previdência será um gatilho para destravar a economia. "Não há novidade nenhuma nessa desaceleração econômica, o Brasil está prisioneiro de uma armadilha de baixo crescimento e nós vamos escapar com as reformas", afirmou, após reunir-se com o presidente Jair Bolsonaro.

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