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ECONOMIA

À espera de ata do BC, juros fecham perto de estabilidade

10 Fev 2020 - 20h00Por Denise Abarca

Os juros futuros encerraram o dia de lado nos vencimentos de curto prazo e com leve queda nos trechos longo e intermediário, sem mudanças no desenho da curva em relação ao fim da manhã. Num dia em que os problemas causados pela chuva em São Paulo tiveram muito mais destaque do que a agenda fraca e o noticiário econômico esvaziado, a percepção de que a Selic deve se manter estável este ano limitou a movimentação das taxas até 2021, enquanto as demais se moveram a partir da percepção de crescimento lento da economia, cenário benigno de inflação e ajustes técnicos em função da alta exibida na sexta-feira.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 fechou a sessão regular com taxa de 4,265% e a estendida a 4,255%, ante 4,275% no ajuste de sexta-feira. A do DI para janeiro de 2023 encerrou a regular em 5,52% e a estendida em 5,50%, de 5,56% na sexta-feira. A do DI para janeiro de 2025 passou de 6,202% para 6,15% (regular) e 6,13% (estendida). O DI para janeiro de 2027 terminou com taxa de 6,48% (regular) e 6,46% (estendida), ante 6,55%.

"O comunicado foi mais hawkish, mas começou a prevalecer a ideia de que o Banco Central vai atuar na dependência dos dados, e estes sugerem frustração com o cenário de crescimento", disse João Mauricio Rosal, economista-chefe da Guide Investimentos, lembrando ainda que as amostras de inflação de alta frequência apontam postergação da pressão sobre os preços.

Quanto ao caos na mobilidade em São Paulo, os efeitos econômicos ainda estão sendo contabilizados, mas, a princípio, não trazem impacto para os DIs. Do ponto de vista da inflação, possíveis pressões de preços de in natura, sobretudo pelos prejuízos vistos na Ceagesp, não devem alterar a percepção dos agentes. "Diferentemente do passado, hoje atingimos um grau de maturidade e credibilidade que permite ao mercado desprezar esse efeito. Para a política monetária, isso é um debate de outras eras", afirmou Rosal.

De todo modo, a FecomercioSP estima que as vendas da região metropolitana de São Paulo devem sofrer até R$ 110 milhões de prejuízo. Já Associação Comercial de São Paulo (ACSP) disse que ainda vai fazer as contas. "Os prejuízos no comércio ainda não podem ser calculados, pois as ocorrências são recentes", afirma, em nota à imprensa.

Os longos refletiram, além da correção da alta da sexta-feira, o viés desinflacionário do exterior em meio ao impacto da epidemia do coronavírus na economia. Eventuais menções ao tema são aguardadas amanhã na ata que o Copom divulga para detalhar sua decisão de reduzir a Selic a 4,25%.

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