Glúten: parte 3

Vamos observar uma dieta bastante comum?

23 Mar 2020 - 07h30Por Cristiane Molon

Café da manhã: café com leite e pão com queijo
Lanchinho: biscoitos/coxinha/pão de queijo
Almoço: macarrão/lasanha
Lanche da tarde: bolo/ torta
Jantar: pizza/ sanduíches

É bom lembrar que o glúten está escondido em chás, no chocolate, em temperos, em cosméticos e em uma infinidade de alimentos industrializados. Se pensarmos que durante a vida comeremos cerca de sete toneladas de alimentos, com esta frequência, será que podemos dizer que o glúten é inócuo? Agora, você é capaz de responder se ele é vilão ou mocinho. 

Existe uma fração proteica da gliadina, que é semelhante aos opióides. Ela pode se ligar a receptores de opióides naturais do organismo (como as endorfinas e encefalinas), mimetizando os efeitos de drogas opiáceas, como a heroína e morfina. Esse é um dos fatores pelo qual o glúten e o leite (que forma a caseomorfina) podem gerar “vícios”. Esta é uma reação mediada pela formação das exomorfinas (gluteomorfinas), gera vício igual à droga. Por isso, é tão difícil abandonar o glúten. Estou triste? Como o pãozinho, ele faz carinho, acalma e, assim, o ciclo vicioso se repete diariamente. 

Ao analisarmos o comportamento alimentar, observamos que os lanches e alimentos industrializados estão substituindo a alimentação rica e variada em alimentos naturais e nutritivos, com baixo consumo de legumes, verduras, frutas, leguminosas, cereais integrais. 

Desequilíbrios nutricionais têm relação direta com doenças crônicas não transmissíveis. O nosso organismo é formado por trilhões de células e as células são formadas por, no mínimo, 44 nutrientes conhecidos. Os nutrientes formam tudo que estrutura o nosso organismo (cabelo, pele, unhas, cartilagens, músculos) e também formam hormônios, antioxidantes, neurotransmissores e participa na formação do sistema nervoso central. 

Nossa genética não mudou, mas nossa alimentação mudou radicalmente. É aí que reside o problema. A tendência é afastar das gorduras e proteínas animais, em direção a uma dieta predominantemente cereal.