Que Figura III

Na contemporaneidade, sobrevive melhor quem se comunica melhor!

07 Fev 2020 - 09h00Por Leoní Cimardi

Para continuar a série sobre FIGURAS DE LINGUAGEM (veja as duas edições anteriores desta coluna), apresentaremos as “figuras de sintaxe”, também chamadas de “figuras de construção”, que são utilizadas para modificar um período, ou seja, interferem na estrutura gramatical da frase, com o intuito de oferecer maior expressividade ao texto. Podemos perceber que todas as variantes de figuras de linguagem nos abrem ricas possibilidades de comunicação, de expressar o que queremos ou precisamos dizer de uma maneira mais tênue, divertida, criativa, enfática, enfim, o uso desse recurso linguístico nos permite dar personalidade aos nossos textos, uma questão de estilo. Outrossim, perceber a presença de “figuras de linguagem” em um texto, nos dá melhores condições de interagir com a mensagem, articulá-la no nosso pensamento e construir argumentações para concordar ou discordar, acentuando as nossas habilidades de comunicação. Lembre: na contemporaneidade, sobrevive melhor quem se comunica melhor!

FIGURAS DE SINTAXE

A ELIPSE é a omissão de uma palavra que se identifica de forma fácil.

Exemplo: Tomara você me entenda

(Tomara que você me entenda).

No mar, tanta tormenta e tanto dano.

(No mar, há tanta tormenta e tanto dano.)

A ZEUGMA é a omissão de uma palavra pelo fato de ela já ter sido usada antes.

Exemplo: Fiz a introdução, ele a conclusão.

(Fiz a introdução, ele fez a conclusão.)

Começou a ler muito, depois a escrever compulsivamente.

(Começou a ler muito, depois começou a escrever compulsivamente.)

O HIPÉRBATO é a alteração da ordem direta da oração, ou seja, ao invés de “sujeito + predicado” aparece “predicado + sujeito”.

Exemplo: São como uns anjos os seus alunos.

(Os seus alunos são como uns anjos.)

Estiveram em minha casa os policiais da Federal.

(Os policiais da Federal estiveram em minha casa.)

O POLISSÍNDETO é o uso repetido de conectivos.

Exemplo: As crianças falavam e cantavam e brincavam e riam felizes.

Ele sofria, porém sorria, porém cantava, porém vivia.

O ASSÍNDETO representa a omissão de conectivos, sendo o contrário do polissíndeto.

Exemplo: Não sopra o vento; não gemem as vagas; não murmuram os rios.

Espero que você leia, pense, compare, conclua, registre o que entendeu.

o ANACOLUTO é a mudança repentina na estrutura da frase.

Exemplo: Eu, parece que estou ficando zonzo.

(Parece que eu estou ficando zonzo.)

Você acredita que Maria, ela abandonou o curso?

(Você acredita que Maria abandonou o curso?)

PLEONASMO é a repetição da palavra ou da ideia contida nela para intensificar o significado.

Exemplo: A mim me parece que isso está errado.

(Parece-me que isto está errado.)

Saia para fora daqui!

(Saia daqui!)

A SILEPSE é a concordância com o que se entende e não com o que está implícito. Ela é classificada em: silepse de gênero, de número e de pessoa.

Exemplos:

· Vivemos na bonita e agitada São Paulo.

(silepse de gênero: Vivemos na bonita e agitada cidade de São Paulo.)

· A maioria dos clientes ficaram insatisfeitas com o produto.

(silepse de número: A maioria dos clientes ficou insatisfeita com o produto.)

· Todos terminamos os exercícios.

(silepse de pessoa: neste caso concordância com nós, em vez de eles: Todos terminaram os exercícios)

A ANÁFORA é a repetição de uma ou mais palavras de forma regular.

Exemplo: Se você sair, se você ficar, se você quiser esperar. Se você “qualquer coisa”, eu estarei aqui sempre para você.

 

Na próxima coluna, “figuras de som”, também chamadas de “figuras de harmonia”.

 

Mande suas dúvidas.

Entre um ponto e outro, tentaremos esclarecer a todos!