Que figura II

Na coluna anterior, falamos de FIGURAS DE LINGUAGEM, mais especificamente, das figuras de palavras. Agora, falaremos das figuras de pensamento.

31 Jan 2020 - 10h00Por Leoní Cimardi

Na coluna anterior, falamos de FIGURAS DE LINGUAGEM, mais especificamente, das “figuras de palavras”. Agora, falaremos das “figuras de pensamento”. Para relembrar, “figuras de linguagem” são recursos estilísticos usados para dar maior ênfase à comunicação e torná-la mais bonita ou, pelo menos, mais interessante.

É claro que para produzir ou entender um texto não precisamos lembrar de cada uma das possibilidades de “figuras” pelo seu nome e conceito, mas estudá-las aguçará em nós a sua percepção e, consequentemente, compreendê-las melhor. Em outras palavras, conhecer e perceber a presença das figuras de linguagem, também chamadas figuras de estilo, nos torna mais hábeis para interpreter textos e compreender as interações comunicativas na sociedade.

 

Figuras de Pensamento

A HIPÉRBOLE corresponde ao exagero intencional na expressão.

Ex.: Quase morri de tanto estudar.

Já disse milhões de vezes que lhe amo.

O EUFEMISMO é utilizado para suavizar o discurso.

Ex.: Entregou a alma a Deus. (morreu)

O político faltou com a verdade. (mentiu)

O LITOTE representa uma forma de suavizar uma ideia, é a negação do seu contrário.

Ex.: Não é que sejam más companhias…

Não estou feliz com essa notícia.

 

A IRONIA é a representação do contrário daquilo que se afirma, mas com uma certa graça ou deboche.

Exemplo: É tão inteligente que não acerta nada. (Não é inteligente.)

Percebe-se que João é um excelente motorista. (Ele é muito ruim.)

A PERSONIFICAÇÃO ou prosopopeia é a atribuição de qualidades e sentimentos humanos aos seres irracionais.

Exemplo: O jardim olhava as crianças sem dizer nada.

O portão aberto me avisou que ela foi embora.

A ANTÍTESE é o uso de termos que têm sentidos opostos.

Exemplo: Guerra e paz compõe a história da humanidade.

Amor e ódio fazem parte da sua personalidade.

O PARADOXO representa o uso de ideias que têm sentidos opostos realçando uma “explicação”.

Exemplo: Estou cego de amor e vejo o quanto isso é bom. (...estar cego e ver?)

Estou cheio de me sentir tão vazio. (…cheio de vazio?)

A GRADAÇÃO é a apresentação de ideias que progridem de forma crescente (clímax) ou decrescente (anticlímax).

Exemplo: Inicialmente calma, depois controlada, até chegar ao nervosismo total.

Comecei a andar, apressei o passo e então corri para lhe abraçar.

A APÓSTROFE é o uso de um vocativo na oração, ou seja, chamamento do receptor (imaginário ou não), interpelação feita com ênfase, comum nas preces.

Exemplo: Ó céus, é preciso chover mais?

Minha mãe, isso é terrível!

 

Na próxima coluna, falaremos sobre as “figuras de sintaxe” e as “figuras de som”.

 

Mande suas dúvidas.

Entre um ponto e outro, tentaremos esclarecer a todos!