Qual o seu nome?

Estudar a Língua Portuguesa não precisa ser difícil e nem chato. Se soubermos a aplicação do conhecimento adquirido, tudo parecerá mais simples e interessante, pois estaremos dando significado ao que aprendemos.

10 Jan 2020 - 08h30Por Leoní Cimardi

Por exemplo, quando perguntamos o nome a alguém a quem acabamos de conhecer, na verdade, estamos perguntando qual o substantivo próprio que a designa entre os outros seres da mesma espécie. Explico!

- Você entra em uma festa e vê muitas pessoas (a palavra “pessoa” é o nome comum que se dá a cada um dos seres humanos, logo, a palavra “pessoa” é um substantivo comum).

- Sentada em um sofá, chama a sua atenção uma mulher (a palavra “mulher” é o nome comum que se dá a todos os seres humanos adultos do sexo feminino, logo, a palavra “mulher” é um substantivo comum do gênero feminino).

- Ao se aproximar, você pergunta a essa mulher qual o nome dela e ela responde dizendo “Maria” (a palavra “Maria” é um nome, um substantivo portanto, porém é um substantivo que não designa todas as mulheres e que, apesar de existirem muitas “Marias” pelo mundo, o nome “Maria” foi escolhido próprio para cada uma delas, em momentos diferentes, datas, circunstâncias e por razões distinta, ou seja, aquela “Maria” que você conheceu na festa recebeu um nome (=substantivo) próprio para ela, que a distingue das outras mulheres, inclusive das outras “Marias”, pois o substantivo próprio “Maria” será seguido de outro(s) substantivo(s) próprio(s) que lhe dará complemento: “Maria Helena Alencar”, por exemplo.

Todas as coisas têm nomes, sejam coisas que existem ou que imaginamos existir neste mundo e em todos os mundos que tivermos a capacidade de imaginar. Toda palavra que servir para dar nome a alguma coisa será um SUBSTANTIVO. Isso quer dizer que alguém poderia chegar perto de você e lhe perguntar: “Qual o seu substantivo? ”, pergunta a qual você responderia dizendo simplesmente o seu NOME.

Vamos supor que fôssemos organizar todas as palavras existentes na Língua Portuguesa em um móvel: seriam necessárias apenas dez gavetas! Isso porque no total temos apenas dez classes gramaticais, que são dez grupos que reúnem palavras semelhantes, que possuem a mesma função quando são colocadas em uma frase. As palavras cuja função é nomear todas as coisas são chamadas de substantivos e seriam colocadas na primeira gaveta, por serem uma das classes de palavras mais importantes, caso fôssemos mesmo organizar as palavras em um gaveteiro.

Seguindo a mesma linha de raciocínio, vamos continuar com a nossa “historinha”.

-Imagine que no dia seguinte ao da festa, aquela festa na qual conhecemos Maria, você quisesse contar para alguém sobre ela dizendo algumas de suas características. Você poderia dizer que Maria é italiana, jovem, alta, morena, gentil, simpática e inteligente. Sem perceber, você teria usado uma outra classe de palavras, ADJETIVOS, cuja função é dar características dos substantivos.

- Se você quisesse contar ainda que Maria tem “vinte e dois” anos, que foi a “primeira” pessoa com quem conversou na festa e que deu a ela a “metade” do seu refrigerante, mas que daria o “dobro” disso se ela assim o quisesse... Bom! Neste caso você teria usada uma outra classe de palavras, os NUMERAIS, cuja função é designar números, quantidades, ordem, ideia de fração ou multiplicação.

- Perceba que para entender tudo o que foi dito até aqui, você precisou ler, pensar, entender, imaginar... Ah! E lá na festa (aquela da “historinha”), você entrou, olhou, conversou, perguntou, ouviu, repartiu... Para se referir às AÇÕES usamos os

VERBOS, cuja função, basicamente, é indicar três coisas: uma ação, estado ou fenômeno da natureza. Quanto você se preocupa em saber se amanhã choverá, o que quer saber é qual será a “ação da natureza” no dia seguinte, certo? Chover é verbo! Você é mesmo muito esperto e está aprendendo rápido, lembrando que “ser”, estar”, “aprender” e “lembrar” também são verbos.

-Ah!

-Nossa! Isso nem é tão difícil, não é mesmo?

-Puxa! Vale a pena prestar atenção em cada palavra.

-Senhor! Em pensar que tem gente com preguiça de aprender...

Cada vez que usamos uma palavra que expressa uma emoção (surpresa, admiração, encantamento, raiva...), estamos lançando mão de mais uma das classes de palavras, as INTERJEIÇÕES, cuja função é revelar ao receptor da sua mensagem a forma como você está se sentindo.

Ao estudo da classificação das palavras damos o nome de “Morfologia” e, como já dissemos, são dez as CLASSES GRAMATICAIS. Nesta coluna, vimos os substantivos, adjetivos, numerais, verbos e interjeições. Na próxima, veremos artigos, pronomes, advérbios, preposições e conjunções. Esteja você se preparando para algum concurso público ou não, esteja em idade escolar ou não, relembrar ou aprender sobre nosso idioma só nos traz vantagens, pois refletir sobre a função das palavras nos dá condições de entendê-las melhor e aprimorar nossa capacidade de compreensão das mensagens.

 

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