Prótese de silicone x tumor

Nas últimas semanas, a prótese de silicone tem sido pauta nos mais diversos bate-papos devido à descoberta da ligação entre linfoma e um tipo específico de silicone da fabricante Allergan

07 Ago 2019 - 08h00Por Josinaldo Martins

Nas últimas semanas, a prótese de silicone tem sido pauta nos mais diversos bate-papos devido à descoberta da ligação entre linfoma e um tipo específico de silicone da fabricante Allergan.  Linfomas são tumores malignos do sistema linfático, que acometem os linfócitos B e T, mais comumente causando aumento de linfonodos ou ínguas. O linfoma anaplásico de grandes células é um dos tipos formado por células B e pode surgir se associado a próteses mamárias de silicone texturizada. 

Não se sabe ao certo quais são os fatores de vulnerabilidade para o desenvolvimento desse tipo de linfoma em pessoas que possuem prótese. Porém, tecidos texturizados preenchidos com solução salina e silicone seriam o tipo de prótese com maior risco, pois agregariam maior número de linfócitos T, em comparação a próteses com superfícies lisas. Esse tipo de tumor costuma se desenvolver aproximadamente uma década após a colocação do implante mamário, embora existem casos antes desse período. 

O desenvolvimento do linfoma anaplásico de grandes células em pessoas que possuem implantes de silicone surge de uma inflamação crônica no local. Na maioria dos casos, fica aparente na cicatriz próxima à prótese e, geralmente, o linfoma ocorre em apenas uma das mamas. 

Após diagnosticada a presença de linfoma anaplásico de grandes células, deve-se fazer exames para saber se o tumor está confinado à cápsula ou disseminado. Recomenda-se tratamento cirúrgico em todos os casos, com ressecção do implante, da cápsula e de qualquer massa associada. Para casos onde a doença está localizada na mama, não se deve realizar tratamentos oncológicos (quimioterapia ou radioterapia) depois da cirurgia. Para pacientes que possuem implantes nas duas mamas, sugere-se a remoção dos dois implantes, evitando o retorno da doença. Nessas situações, não é indicada a colocação de novo implante mamário texturizado. 

Quando não existe a possibilidade de retirada do tumor, com invasão da parece torácica ou presença de linfonodos comprometidos nas axilas, os especialistas recomendam tratamento com quimioterapia. De acordo com dados divulgados no mês passado pela FDA, agência que regula remédios e dispositivos médicos nos Estados Unidos, foram contabilizados 573 casos deste tipo de tumor associado aos implantes da prótese texturizada em todo o mundo, sendo 481 atribuídos à marca Allergan e 33 mortes decorrentes da doença, o que resultou no recolhimento do produto do mercado, anunciado pela empresa em julho.  

Contudo, esse é um tipo raro de câncer. A probabilidade de surgimento da doença é de um em 35 mil pacientes com até 50 anos, um em 12 mil pacientes até 70 anos e um em sete mil até 75 anos, segundo estudo publicado em 2018. Vale esclarecer para quem deseja realizar o procedimento que existem outros tipos de silicone para as mamas disponíveis no Brasil. Modelos lisos ou à base de poliuretano e também outros modelos e marcas de texturizados continuem sendo comercializados no país. 

Importante: a troca de prótese mamária só é necessária caso o paciente apresente sintomas. Se você possui este modelo de silicone, procure o cirurgião plástico para avaliação e exames regulares.