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Prontidão para o trabalho

As empresas estão passando a dar mais importância para habilidades socioemocionais do que para conhecimentos específicos.

11 Fev 2019 - 06h30Por Emílio Da Silva Neto
Nas empresas, à medida que a tecnologia e a automação avançam, em particular com a ascensão da Inteligência Artificial, habilidades comportamentais e competências subjetivas, as chamadas soft skills, vêm adquirindo uma importância maior frente às chamadas hard skills, que são as habilidades técnicas.
 
Em função disto, ou seja, de que as empresas estão passando a dar mais importância para habilidades socioemocionais do que para conhecimentos específicos é que, segundo artigo¹ de Érica Fraga, “a relação entre a educação e o trabalho passa por uma espécie de crise existencial”.
 
E isto é evidenciado¹ por “constantes revisões do perfil profissional buscado pelas empresas, que se torna cada vez menos técnico e mais focado em traços da personalidade. Outro sintoma do distanciamento entre o universo acadêmico e o laboral é a elevada parcela de profissionais que termina em empregos fora de sua área de formação”.
 
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Neste sentido, pesquisas da FGV Clear, advertem que o Brasil pode estar desperdiçando recursos investidos na educação que, se mais bem aplicados, talvez pudessem elevar a baixa eficiência da economia. Enquanto isso, as empresas reveem suas necessidades de treinamento de seus colaboradores, a todo momento, na base da tentativa e erro, para adequar o perfil de suas equipes às rápidas mudanças tecnológicas.
 
Outra constatação advinda das pesquisas da FGV Clear foi que entre os traços de personalidade mais buscados na contratação de pessoas, está a chamada 'job readiness' (‘prontidão para o trabalho’, em tradução livre), que envolve pontos como postura profissional, disposição para o aprendizado contínuo, competências comportamentais, disciplina, perseverança, facilidade de relacionamento, trabalho em grupo, autocontrole, ética, comprometimento e comunicação, todos estes, pontos de alto impacto no desempenho acadêmico e no sucesso na vida adulta, que, atualmente, tornaram-se tanto quanto ou até mais significativos do que a inteligência medida em testes cognitivos tradicionais.
 
Em outras palavras, a ‘prontidão para o trabalho’, no passado, chamada de ‘empregabilidade’, pode ser definida como a capacidade de alguém, com pouca ou nenhuma ajuda externa, encontrar, adquirir e manter um emprego adequado, bem como, ser capaz de gerenciar as transições para novos empregos, conforme necessário, tudo mais ancorado, nos dias atuais, nas soft skills (habilidades comportamentais e competências subjetivas) do que nas hard skills (habilidades técnicas).
 
Afinal, Simon Sinek, consultor e escritor, lembra: “100% dos clientes são pessoas e 100% dos colaboradores são pessoas. Assim, se alguém não entende de pessoas, não entende de negócios”.
Fica, então, a pergunta final: afinal, quem está ‘pronto’ / ‘tem prontidão’ ('job readiness') para o trabalho no século XXI ?
 
(1): FRAGA, Érica. Personalidade supera técnica no trabalho. 
São Paulo: Folha de São Paulo, Ed. 28.01.2018, Caderno Mercado, pg A20