quarta, 16 de janeiro de 2019 - 09h49
(47) 3271-1010Central (47) 3372-1010Ao Vivo

Músicas ao Vivo

Hoje em dia existe uma parcela significativa de pessoas que amam música mas que jamais vão a um show ou concerto ao vivo. Eles preferem a comodidade e o conforto de suas casas. Esta é uma realidade preocupante pois o público dos concertos, especialmente d

04 Jan 2019 - 07h30Por Magnus Behling
Glenn Gould foi um famoso pianista do século passado. Ele não gostava de tocar em público. Odiava principalmente aquela atmosfera de “arena de gladiadores” onde a plateia muitas vezes espera ansiosa o primeiro erro do músico.
 
Quando chegou aos 30 anos surpreendeu o mundo musical ao comunicar que não iria mais se apresentar em público. À partir daquele momento se dedicou exclusivamente às gravações. Ele argumentava que só era possível alcançar a perfeição técnica num estúdio de gravação. Ele gostava de fazer montagens combinando vários trechos de suas interpretações. 
 
O maestro romeno Sergiu Celibidache pensava o oposto de Gould. Para ele, apenas a música ao vivo tem valor. Na sua opinião a gravação sonora jamais será capaz de captar todo o espectro sonoro. No fim da vida mudou um pouco de opinião e permitiu que seus concertos fossem gravados porém jamais aceitou pisar num estúdio de gravação.
 
Hoje em dia existe uma parcela significativa de pessoas que amam música mas que jamais vão a um show ou concerto ao vivo. Eles preferem a comodidade e o conforto de suas casas. Esta é uma realidade preocupante pois o público dos concertos, especialmente de música clássica, vem diminuindo constantemente. Como as gravações são atacadas pela pirataria para muitos músicos a apresentação ao vivo é a única fonte de subsistência.
 
É possível encontrarmos um meio termo neste dilema. É claro que se quisermos ouvir uma interpretação dos Beatles teremos que recorrer às gravações. Mas é preciso dizer que nada substitui a música ao vivo, feita naquele momento e influenciada pelo público.