Marian Anderson: a voz do século

03 Dez 2018 - 07h30Por Magnus Behling

Marian Anderson (1897-1993) foi a mais importante contralto, voz feminina grave, do século 20. Marian tinha uma extensão vocal enorme. Um contralto geralmente consegue cantar notas num intervalo de 2 oitavas. Marian cantava com segurança repertório de contralto, mezzo-soprano e eventualmente até de soprano. Outra característica fascinante da sua voz é a mudança de timbre que ela conseguia imprimir em cada música. As interpretações da cantora são de grande profundidade sem nunca resvalar para um virtuosismo vazio.

Com sua arte Anderson teve uma grande importância para o fim da segregação racial nos Estados Unidos. Na época, ela não podia se hospedar em bons hotéis. Seu pianista muitas vezes tinha que entrar nos restaurantes para comprar comida para ela. O crítico Alex Ross nos lembra que no início da carreira Anderson ficou conhecida como a “contralto de cor”, mas no final da década de 1930 ela era a contralto, representante máxima do seu tipo de voz. O maestro Arturo Toscanini disse que "Uma voz como a sua é ouvida somente uma vez a cada cem anos".

O início da sua carreira nos EUA foi bastante difícil e o sucesso ocorreu primeiro na Europa onde fez várias turnês. No retorno de uma destas viagens Marian pretendia realizar um recital em Washington no Constitution Hall, na época o maior teatro da cidade. Os administradores do teatro por puro preconceito se negaram a realizar o concerto. A primeira-dama Eleanor Roosevelt indignada se queixou com o marido e este sugeriu um concerto ao ar livre nas escadarias do Memorial de Lincoln. O Concerto realizado para 75.000 pessoas no domingo de páscoa de 1939 entrou para a história americana.

Anderson foi a primeira negra a cantar no Metropolitan Opera em 1955 e abriu caminho para divas como Leontyne Price e Grace Bumbry.

Uma das grandes parcerias artísticas foi com o violista William Primrose (1904-1982). Para Primrose as gravações que realizou com Marian Anderson foram algumas das experiências musicais mais gratificantes da sua ilustre carreira.