Latim, língua morta. Será?

22 Nov 2019 - 10h00Por Leoní Cimardi

Ainda que atualmente a língua latina seja considerada como uma língua morta, no sentido de que não é mais falada como língua materna em nenhum país, ela continua a viver através das línguas vivas de hoje, mais especificamente, nas chamadas línguas neolatinas: o francês, o romeno, o italiano e o nosso português, que foi a última das línguas que tiveram sua origem no latim e, por isso, Olavo Bilac a chamou de “a última flor do Lácio”. Falado na região do Lácio, na Itália, o latim se modificou ao longo do tempo. Diferente na escrita (latim literário) e na fala (latim vulgar), foi sua versão falada que deu origem às línguas que hoje referenciamos como línguas românicas ou neolatinas.

O português, apesar de ter sido influenciado desde o seu surgimento também por outras línguas como o árabe, as línguas e dialetos africanos, as línguas eslavas, germânicas e línguas indígenas, guarda até hoje traços fortes de sua origem latina. Palavras e expressões inteiras do latim são ainda utilizadas sem que o falante se pergunte a origem desse ou daquele termo.

Reconhecer no nosso cotidiano algumas palavras ou expressões puristas ou bem próximas do latim pode ser bem interessante.

Veja!

 

· Agenda: palavra derivada do verbo latino agere, que significa agir, era o registro dos escritos diários da Idade Média.

· Álibi: meio de defesa pelo qual o acusado alega e prova que, no momento do delito, se encontrava em lugar diverso daquele onde o fato delituoso se verificou.

· Alter ego: o outro eu. O conceito é utilizado em referência à pessoa em que se tem confiança absoluta.

· Bis: uma segunda vez.

· Curriculum Vitae: usada para referir um conjunto de dados que constituem o percurso de vida de uma pessoa.

· Et cetera ou etc: e assim por diante.

· Grátis: gratuito, que é isento de pagamento.

· Habeas corpus: ação judicial com o objetivo de proteger o direito de liberdade de locomoção lesado ou ameaçado.

· Incógnita: indica algo desconhecido.

· Intramuros: no interior de uma cidade.

· In memoriam: Usada para homenagear alguém que já faleceu, sendo muito utilizada em obituários, epitáfios, monumentos mortuários, dedicatórias em livros e convites de casamento.

· In vitro: usada para indicar qualquer reação fisiológica que ocorre em laboratório, fora do organismo.

· Mea culpa: usada para indicar uma confissão, ou seja, o reconhecimento do erro ou culpa pelo próprio.

· Ônibus (omnibus): significa “'para todos”.

· Per capita: usada para indicar um valor ou número por cabeça, ou seja, por cada indivíduo. É muito utilizada em estatísticas.

· Persona non grata: usada para indicar uma pessoa que não é bem-vinda. É muito utilizada na política, no âmbito das relações internacionais.

· Sine qua non: usada para indicar uma condição essencial e indispensável a alguma coisa.

· Status quo: usada para indicar a situação atual.

· Sine die: usada para indicar algo que fica adiado sem se fixar uma data futura para sua ocorrência.

· Sui generis: usada para indicar algo que é único e peculiar, sem igual.

· Ultimatum: no século XV, o termo ultimatum consilium foi usado para definir a última decisão. Hoje, é um requisito para atender dentro de um determinado tempo.

· Veto: (vetare) proibir, não sancionar.

· Vice versa: inversamente.

 

Que tal conhecer a oração universal, o “Pai Nosso”, em latim?

 

“Pater noster, qui es in cælis: sanctificétur nomen tuum; advéniat regnum tuum;

fiat volúntas tua sicut in cælo, et in terra. Panem nostrum cotidiánum da nobis hódie; et dimítte nobis débita nostra, sicut et nos dimíttimus debitóribus nostris; et ne nos indúcas in tentatiónem; sed líbera nos a malo. Amem”

 

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