Dermatites relacionadas com lactose e glúten

Existe um provérbio chinês muito interessante: "Quem quer que seja o pai da doença, com certeza, a mãe é uma dieta inadequada!"

16 Dez 2019 - 07h30Por Cristiane Molon

Se considerarmos que ingerimos por volta de um quilo de alimento por dia, teremos ingerido, até os 70 anos, por volta de 25 toneladas de alimentos. A individualidade bioquímica de cada um, a carga genética com nossas tendências e pré-disposições, nos faz diferentes uns dos outros no que tange às doenças, sinais e sintomas.

Tecnologicamente, estamos cada vez melhores, mas no quesito saúde temos muito o que aprender. Com o advento da industrialização e estilo de vida moderno superestressado, cada vez optamos mais por alimentos práticos, industrializados, pobres em nutrientes, altamente calóricos e o consumo de verduras, frutas, feijão, arroz fica deixado de escanteio. Este hábito novo e ruim faz aumentar o surgimento das chamadas “ites”, desencadeadas pelo sistema imunológico, podendo ser alérgicas ou não. 

Nosso sistema digestivo foi "programado" para digerir tudo que comemos, mas com o consumo excessivo de substâncias químicas, como fertilizantes, conservantes, corantes, aromatizantes, o corpo começa a não dar conta de tanto trabalho. Há, então, uma modificação na microbiota intestinal, provocando o que chamamos de "disbiose intestinal", onde há uma alteração das bactérias do bem, com domínio de micro-organismos que inflamam e alteram a permeabilidade das mucosas dos intestinos, resultando em alergias.  O intestino é um dos órgãos responsáveis pelo sistema imunológico e também pela produção de serotonina, enzimas digestivas, hormônios. 

Vários alimentos podem desencadear dermatites e eczemas. Os mais comuns são leite de derivados lácteos, glúten (trigo), soja, amendoim, oleaginosas, açúcar, ovo, peixes e frutos do mar, frutas cítricas, manga, batata, chocolate, tomate. 

Existem diferentes tipos de alergias e hipersensibilidades, envolvendo moléculas IgA, IgG, igM. Clinicamente, vemos muitas doenças, como enterocolites, bronquites, dermatites, causadas por proteínas alimentares, principalmente, pela proteína do leite e proteína do trigo (glúten). As proteínas alergênicas dos lácteos e do glúten (trigo) provocam uma inflamação na mucosa intestinal causando alteração na permeabilidade, facilitando a passagem de macromoléculas e metais tóxicos, além de favorecer a má absorção de nutrientes, gerando uma síndrome de má absorção. 

Como é no intestino que ocorre a produção de serotonina, hormônios e enzimas digestivas, se o intestino não estiver funcionado em equilíbrio, não teremos a liberação dessas substâncias e sua consequente ação no organismo. Além disso, as macromoléculas que conseguiram atravessar esta mucosa intestinal doente podem provocar uma reação do organismo no sentido de combatê-las pois são entendidas como antígenos (substâncias estranhas ao organismo), necessitando ser eliminadas. 

Pode ocorrer a formação de anticorpos, a liberação de histaminas, além da produção de outras substâncias pró-inflamatórias como leucotrienos e citocinas. Todas estas reações em conjunto podem desencadear sintomas em diversos órgãos a distância. Diversos estudos comprovaram a relação de alergia tardia, principalmente, ao leite e glúten com dermatite (coceiras na pele), rinite, sinusite, aumento da resistência à insulina e na formação de muco, gastrite, enterocolite, enxaqueca e fadigas inexplicáveis. 

Hoje, observa-se que qualquer órgão ou sistema pode ser alvo desses "erros" imunológicos. Assim, diversificando a alimentação, procurando alimentos mais naturais e menos processados, somos mais saudáveis, pois se "inflama" menos o sistema.

O tratamento de uma grande maioria de dermatites (coceiras), começa pela retirada do alimento da dieta. Em algumas pessoas, a melhora das dermatites de pele pode ocorrer no prazo de dias, enquanto em outras ela vai se dissipando aos poucos, ao longo de meses.
A influência genética no desenvolvimento de alergias é importante, mas, cerca de 70% da expressão dos genes é influenciada pelo meio ambiente, portanto pelo fenótipo. A mesma dieta em pessoas diferentes pode desencadear diferentes efeitos clínicos e metabólicos, ou seja, podemos dizer que cada um tem sua individualidade bioquímica e sensibilidade diferente ao mesmo alimento.

Mais uma vez, as nossas escolhas alimentares influenciam diretamente na nossa saúde. Vamos prestar atenção no que ingerimos e nas respostas que o alimento produz!