Futsal

Neto fala novamente por estar fora do Mundial

31 Ago 2016 - 13h43
Neto está fora da Copa do Mundo 2016, que acontece entre 10 de setembro e 1º de outubro, na Colômbia. Prestes a completar 35 anos, o atleta fez um longo desabafo em suas redes sociais há duas semanas, pouco após a divulgação da lista de convocados para o Mundial. Na ocasião, o defensor demonstrou enorme insatisfação por não ter sido lembrado nas últimas convocações. Em conversa com o GloboEsporte.com nesta terça-feira, Neto deu mais detalhes sobre a sua indignação. Mesmo reconhecendo que não vive o melhor momento da carreira, ele – que já anunciou que não atua mais pela seleção – acredita estar sofrendo uma retaliação por parte do comando da seleção por não ter participado do Grand Prix 2015, a pedido do seu clube na época, o Corinthians.

– Acho que estou pagando o preço pela decisão do Corinthians em não ter liberado os seus jogadores para o Grand Prix. Quando isso aconteceu, cheguei a argumentar com o clube que queria servir à seleção e poderia pagar um preço mais para frente por não estar indo àquele Grand Prix. Eles não aceitaram, porque tinha semifinal na semana seguinte contra o Orlândia, eu tive que acatar a decisão, pois era funcionário do clube. Deu no que deu – contou.

O Grand Prix de Futsal 2015 aconteceu entre 4 e 8 de novembro do ano passado, em Uberaba (MG). Na ocasião, Corinthians e Orlândia pediram a desconvocação de seus jogadores, chamados pelo técnico Serginho Schiochet numa primeira lista. Além de Neto, não puderam disputar a competição os também corintianos Guitta e Simi e os orlandinos Ciço, Cabreúva, Gadeia, Jackson e Dieguinho. Desses, apenas Neto e Simi nunca mais foram convocados. Guitta, Jackson e Dieguinho, inclusive, estão no grupo que disputará o Mundial.

Em 2014, Neto e Simi também viveram a mesma situação. Na ocasião, o Grand Prix aconteceu em São Bernardo do Campo (SP), e a dupla corintiana acabou desconvocada a pedido do clube paulista. Ao longo do último ciclo, foram muitas as ausências de Neto da seleção. Em 2014, o defensor pegou uma suspensão de seis meses por uma suposta agressão a um árbitro na final da Copa da Rússia e, com isso, ficou de fora do desafio Brasil x Argentina no Mané Garrincha, jogo de maior público da história do futsal.

Apesar dos últimos anos irregulares, o autor do gol que deu ao Brasil o heptacampeonato mundial ainda tinha esperanças de ir à Copa do Mundo da Colômbia. Presente também no Mundial de 2004, no Taipé, ele acredita que poderia contribuir com a sua experiência.

– Pelos meus últimos dois anos, eu não merecia ser convocado. Só que o meu histórico pela seleção diz o contrário e muitas vezes jogadores são chamados para uma Copa do Mundo pela experiência e vivência que têm – frisou.

Neto deixou o Corinthians no fim de 2015. No primeiro semestre deste ano, ele atuou pelo desconhecido FC Split Tommy, da Croácia, antes de transferir-se para o Kairat Almaty, do Cazaquistão, no meio do ano. Depois de participar do movimento por mudanças no futsal brasileiro, o qual provocou duas trocas no comando da CBFS, ele diz que tem faltado transparência à entidade nos últimos meses, justamente um dos pontos mais cobrados pelos jogadores no presente processo de restruturação.

– Brigamos muito por transparência no futsal, o que não tem acontecido, pois um supervisor vinha falando que ia fo(…) jogador por represália. Me senti traído, pois as mesmas pessoas que me procuravam para reuniões me tiraram da seleção. Mesmo assim, vou torcer pelo Brasil no Mundial, até porque o meu melhor amigo no futsal, o Ari, vai estar lá, e tenho muitos outros amigos na seleção. Acho que o Brasil é sempre credenciado ao título em uma Copa do Mundo, embora a gente possa pagar pelos erros cometidos nesse ciclo – concluiu.

Supervisor nega retaliação

Procurado pelo GloboEsporte.com, o supervisor de seleções da CBFS, Reinaldo Simões, negou que tenha havido qualquer retaliação a Neto ou a qualquer outro jogador por conta de pedidos de desconvocação de seus respectivos clubes. O gestor ressaltou ainda que o técnico Serginho Schiochet tem autonomia para convocar quem ele quiser sem a necessidade de realizar consulta à alçada superior.

– Não existe retaliação. Todas as convocações foram feitas pelo treinador, e eu nunca interferi. Realmente Corinthians e Orlândia pediram para desconvocar os seus atletas no último Grand Prix, mas isso não interferiu em nada nas convocações seguintes. Tanto é que muito daqueles jogadores desconvocados voltaram a servir à seleção – destacou.

Quanto as críticas de Neto sobre falta de transparência, Reinaldo frisou que tem boas relações com todos os jogadores que serviram à seleção nos últimos anos, lembrando que a presente comissão técnica abdicou de receber salários neste momento de reestruturação financeira da CBFS.

– Estou ouvindo essa crítica falta de transparência pela primeira vez. O grupo convocado para o Mundial está todo unido, mesmo porque todos sabem da situação difícil que a CBFS atravessa. Ninguém está recebendo salário para atuar pela seleção. Estamos ganhando só diárias de viagens e premiações, e todos entendem que o momento é de unir forças em torno do objetivo de ser campeão mundial – concluiu.

Notícia: Flávio Dilascio

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