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Escândalo da carne pode causar desemprego e aumento da inflação

21 Mar 2017 - 11h49

Terceiro maior produto de exportação do Brasil, atrás da soja e do minério de ferro, as carnes brasileiras conquistaram o mundo, tornando-se sinônimo de qualidade em mais de 150 países.

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Mas esse selo de garantia está sob risco desde a última sexta-feira, quando a Polícia Federal revelou um esquema de adulteração envolvendo pelo menos 30 frigoríficos.



Por si só, pela natureza das descobertas, a operação Carne Fraca já teria o potencial de causar estragos significativos no mercado interno. Afinal, qual brasileiro vai querer comprar - e consumir - possível carne adulterada?



Mas o problema se torna ainda pior porque essa mesma pergunta está sendo feita pelos compradores internacionais - nesta segunda-feira (20), países como China, Chile e Coreia do Sul, além da União Europeia, suspenderam temporariamente as importações de empresas citadas na fraude.



Por causa disso, segundo economistas ouvidos pela BBC Brasil, o impacto na economia brasileira pode ser "maior do que se imaginava".



Eles ressalvam, contudo, que tudo "dependerá de quanto vão durar os embargos e se mais países vão aderir a ele".




 

'Péssimo momento'



 



Mas existe um consenso: a operação da PF veio em um "péssimo momento" para o agronegócio, um dos pilares da economia brasileira, que vinha esboçando sinais de recuperação.



"O Brasil custou para abrir novos mercados e agora a imagem do país está abalada lá fora. É difícil prever o que vai acontecer, mas não resta dúvida de que esse escândalo será prejudicial para a economia brasileira", diz à BBC Brasil José Carlos Hausknecht, sócio diretor da MB Agro, braço agrícola da consultoria MB Associados.



Em outras palavras: isso pode acarretar um prolongamento da recessão, afetando a vida de todos os brasileiros.



Já segundo estimativa da consultoria LCA consultores, no pior dos cenários - se todos os países fecharem as portas às importações de carne brasileira - o impacto no PIB pode ser de até 1 ponto porcentual. A previsão oficial do governo, que deve ser revisada para baixo nos próximos dias, é de crescimento de 1%.




Desemprego e inflação



 

A revelação do esquema de carne adulterada terá consequências para a economia brasileira, explicam os especialistas, pela "importância do setor de carnes".





Atualmente, de toda a carne produzida no Brasil, 80% é consumida pelo mercado interno. O restante vai para fora.



No ano passado, as exportações brasileiras do produto somaram mais de US$ 14 bilhões (R$ 43 bilhões), ou 7,5% do total exportado, atrás apenas do minério de ferro e da soja.



Além disso, o setor de carnes possui uma cadeia produtiva "muito extensa", com "efeitos indiretos", lembra Gesner Oliveira, sócio da consultoria GO Associados.



Oliveira estima que uma redução de 10% nas exportações brasileiras de carne pode custar 420 mil postos de trabalho e R$ 1,1 bilhão a menos em impostos - notícia nada positiva em um momento de crise fiscal.



Já a inflação também deve subir por causa do escândalo, "devido a algum tipo de recall das carnes já distribuídas ao comércio", diz à BBC Brasil André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.



Apesar disso, ressalva ele, o impacto na subida dos preços deve ser residual, já que o peso total das carnes no índice oficial (IPCA) é de apenas 3,69%.


G1


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